Iraque produz armas químicas, diz CIA
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sexta-feira, 04 de outubro de 2002
France Presse 
Washington - Membros do serviço de inteligência americano concluíram que o Iraque reativou a produção de armas químicas e tem grande capacidade para desenvolver armamento biológico.
A CIA divulgou ontem um comunicado de 24 páginas que sintetiza os ''julgamentos chaves'' dos especialistas sobre o programa de armas de destruição em massa iraquiano e assinala que seu desenvolvimento continua, desafiando as resoluções da ONU.
''Desde que as inspeções (da ONU) terminaram em 1998, o Iraque manteve seu esforço para desenvolver armas químicas, ativou seu programa de mísseis e investiu mais em armas biológicas'', diz o documento. ''A maioria dos analistas sustenta que o Iraque está reconstituindo seu programa de armas nucleares'', acrescenta.
Segundo o comunicado, Iraque reconstruiu parte de suas instalações de mísseis e armas biológicas, destruídas na Operação Raposa do Deserto de 1998, e aumentou sua infraestrutura química e biológica, fazendo-a passar como produção civil.
A capacidade de armas químicas iraquianas foi reduzida durante a inspeção de armas da ONU antes de 1998, e provavelmente é mais limitada atualmente do que na época da Guerra do Golfo, diz o comunicado.
Os inspetores da ONU foram retirados do Iraque em dezembro de 1998, antes dos bombardeios americanos e britânicos, depois que Londres e Washington acusaram Bagdá de impedir o seu trabalho. Iraque por sua vez os acusava de espionagem.
Inspetores - Um retorno rápido ao Iraque dos especialistas em desarmamento da ONU dependia ontem de uma decisão do Conselho de Segurança da ONU num momento em que o Senado americano debate a autorização para que o presidente George W. Bush recorra à força contra Bagdá.
Ao prestar contas ao Conselho de Segurança do acordo obtido com o Iraque em Viena, o chefe dos especialistas, Hans Blix, aparentemente descartou a chegada de uma primeira equipe a Bagdá em meados deste mês, data que havia evocado no início da semana. O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, enfatizou, por sua parte, que correspondia agora ao Conselho de Segurança decidir qual será a próxima etapa.
A Casa Branca manteve sua posição sobre a necessidade de uma nova resolução. ''Não acreditamos que os inspetores devam partir em virtude das disposições atuais'', declarou o porta-voz do departamento de Estado, Richard Boucher, confirmando que Blix deverá reunir-se ainda hoje com o secretário de Estado americano Colin Powell.
O Senado americano, controlado pelos democratas, iniciou esta semana um debate preliminar sobre o Iraque e sobre a concessão ao presidente Bush da autoridade necessária para recorrer à força contra Bagdá.
Depois desse debate, limitado a trinta horas, os senadores deverão se reunir na próxima terça-feira para tentar chegar a um acordo sobre o texto exato da resolução, autorizando Bush a utilizar todos os meios necessários contra o Iraque, para obrigar o país a eliminar suas armas de destruição massiva.
A questão da utilidade de uma nova resolução divide os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança. Os Estados Unidos e a Grã-Bretanha se opõem à partida dos inspetores antes da adoção de uma nova resolução sobre o regime de inspeções, que autorizará um recurso automático da força no caso de infração iraquiana. França, Rússia e China consideram inútil essa nova resolução, e se opõem ao recurso automático da força.
Em Jerusalém, o ministro israelense da Defesa, Binyamin Ben Eliezer, afirmou ser possível que o ataque contra o Iraque aconteça no final de novembro.


