Iraque pretende usar o ataque do Irã
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terça-feira, 30 de setembro de 1997
Talal Tohme France Press Dubai 
O Iraque, que tenta se utilizar da suposta ameaça iraniana para encontrar aliados, como fez nos anos 80, não conseguirá seus propósitos desta vez, estimam ontem especialistas sobre o Golfo Pérsico. O Iraque pede a retirada da proibição de sobrevoar a zona de exclusão aérea, ao norte e ao sul do país, para poder se defender dos bombardeios iranianos.
Durante a guerra Irã-Iraque (1980-88), Bagdá conseguiu que os países do Golfo financiassem suas ações e que os países ocidentais armassem seu exército, preocupados com os perigos de uma possível exportação da revolução islâmica iraniana.
O presidente iraquiano Saddam Hussein aposta na hostilidade dos ocidentais com o Irã, mas duvido que possa tirar proveito disso, considerou ontem o diretor do centro dos Emirados Árabes Unidos para estudos estrátegicos em Abu Dhabi, Jamal Sanad al Suaidi. Segundo Suaidi, Hussein não poderá obter uma flexibilização da posição ocidental, especialmente dos Estados Unidos.
Bagdá afirmou ter enviado caças em perseguição a oito aviões iranianos que bombardearam duas províncias iraquianas fronteiriças com o Irã. Teerã reconheceu ter atacado uma base dos muyaidines do povo, opositores iranianos estabelecidos no Iraque desde os anos 80.
Os iraquianos procuram justificativas para apoiar seu pedido de levantamento das sanções, considerou Terry Taylor, reitor adjunto do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos de Londres. Mas não acreditam na verdade que se levante a zona de exclusão aérea, concluiu.
O departamento de Estado norte-americano afirmou que o governo iraquiano deve respeitar as proibições de sobrevoar o território da zona de exclusão quaisquer que sejam as circunstâncias.
Estados Unidos e Grã-Bretanha proíbem à aviação iraquiana sobrevoar o território ao norte do paralelo 36 e ao sul do paralelo 33. Essas medidas visam proteger contra possíveis bombardeios iraquianos às populações curda, ao norte, e xiita, ao sul.
Saddam Hussein pode tentar convencer o mundo da ameaça iraniana, mas não será muito convincente, disse Taylor, revelando que Bagdá tentou também se reconciliar com Teerã. Mas este ataque iraniano demonstra que há algo mais grave, algo que preocupa Teerã.
Irã afirmou que suas incursões aéreas foram represálias contra ações terroristas realizadas nos últimos dias no território iraniano pelos muyaidines do povo, que mataram e feriram inúmeros civis iranianos.
Bagdá e Teerã, inimigos tradicionais, acolhem grupos opositores ao governo do país vizinho. A guerra entre os dois países foi precedida de inúmeros conflitos na fronteira. Saddam Hussein quer explorar a operação iraniana para mostrar a seu povo que os Estados Unidos lhe impedem de defender seu território, mas não pode ir muito longe no conflito com o Irã, completou Suaidi.
Advertência ao Irã Os Estados Unidos advertiram o Irã de que seus vôos na zona de exclusão aérea no sul do Iraque podem apresentar riscos para seus pilotos, informou ontem o porta-voz do Pentágono, Kenneth Bacon.


