O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, propôs ao Conselho de Segurança uma lista de peças de reposição no valor de 300 milhões de dólares para que o Iraque possa reparar sua infra-estrutura petroleira. Em uma carta datada de 29 de dezembro e divulgada na véspera do ano novo, Annan recomenda ao Conselho que delibere de maneira que os contratos de importação destas peças sejam aprovados o quanto antes possível. Baseando-se no informe de um grupo de especialistas independentes, o secretário-geral da ONU destaca que ‘‘a indústria petroleira iraquiana continua em um estado lamentável’’. ‘‘Se as peças de reposição e os equipamentos essenciais não forem entregues rapidamente, poderá ser muito difícil manter o atual nível de produção e exportação de petróleo do Iraque’’, afirma Annan.
O Iraque acusa Washington e Londres de prolongarem deliberadamente a aprovação dos contratos por parte do Comitê de Sanções da ONU, integrado pelos 15 membros do Conselho de Segurança. Em sua resolução 1210 de 24 de novembro passado, o Conselho de Segurança renovou um subsídio de 300 milhões de dólares para que Bagdá compre peças de reposição e pediu a Annan que entregasse uma lista do equipamento necessário antes de 31 de dezembro.
Nessa ocasião, o Conselho prolongou por seis meses o programa humanitário ‘‘petróleo por alimentos’’, que permite ao Iraque vender petróleo no valor de 5,2 bilhões de dólares semestrais, em troca de produtos de primeira necessidade. A 5ª Fase desse programa, lançado em dezembro de 1996, entrou em vigor no dia 26 de novembro.
As autoridades iraquianas asseguraram que esse programa continuava, apesar da suspensão de sua cooperação com a ONU na área do desarmamento, depois dos ataques norte-americanos-britânicos de 16 a 19 de dezembro.
O informe de Annan baseia-se nas recomendações de um grupo de especialistas da empresa holandesa Saybolt, que viajou ao Iraque de 13 a 16 de dezembro, ou seja, antes dos ataques aéreos cujos alvos foram, em alguns casos, instalações petroleiras.

mockup