Bagdá - O governo iraquiano pode ''rever suas relações com todos os Estados que não respeitaram a vontade do povo'' sobre a execução de Saddam Hussein, ''assunto interno que diz respeito apenas aos iraquianos'', declarou ontem o primeiro-ministro Nuri al-Maliki.
''O governo pode ser obrigado a rever suas relações com todos os Estados que não respeitaram a vontade do povo iraquiano'', ameaçou Maliki, durante cerimônia em comemoração ao 86º aniversário da fundação do exército iraquiano.
''Estamos estupefatos com as reações de certos governos que lamentam o destino do déspota sob pretexto de ele ter sido executado num dia santo, sendo que ele mesmo sempre violou as festas santas'', acusou Maliki. ''Para nós, trata-se de uma traiçoeira sublevação, uma flagrante interferência nos assuntos internos do Iraque, e uma afronta às famílias das vítimas'', acrescentou.
Esta é a primeira reação oficial do primeiro-ministro à execução de Saddam Hussein, enforcado dia 30 de dezembro de 2006, dia de festa muçulmana, numa caserna do norte de Bagdá.
Um vídeo pirata de sua morte, divulgado na internet, gerou indignação na comunidade internacional. As imagens desta gravação, feitas com um telefone celular, revelaram que o ex-presidente foi insultado antes de ser enforcado.
''A execução do déspota não foi uma decisão política, como afirmam os inimigos do povo iraquiano. Esta decisão foi tomada após um justo processo, que o ditador não merecia'', destacou Maliki.
''Eu gostaria também de dizer alguma coisa sobre todas estas organizações internacionais e de defesa dos direitos do homem (que criticaram o processo e a execução de Saddam): eu me pergunto onde elas estavam quando foram cometidos os crimes de Anfal, Halabja, com armas químicas, com execuções em massa, valas comuns'', indignou-se o primeiro-ministro. ''Estes crimes custaram a vida de milhares de iraquianos e cidadãos dos países vizinhos. Por que não ouvimos na ocasião todas estas organizações?''.
Saddam Hussein foi condenado à morte e executado por sua responsabilidade na morte de 148 xiitas em represália a um atentado contra seu comboio presidencial, em 1982, em Dujail, ao norte de Bagdá.
O ex-ditador também foi julgado por genocídio no Alto Tribunal Penal iraquiano por ter ordenado as campanhas militares de Anfal, que matou 180 mil pessoas no Curdistão (norte) em 1987-1988, segundo a acusação.
As autoridades iraquianas foram ainda acusadas de responsabilidade no bombardeio químico da cidade de Halabja, no Curdistão, que matou 5 mil pessoas em 1988.

mockup