O governo do Iraque pediu ontem ao secretário geral da ONU, Kofi Annan, que impeça um ataque norte-americano, enquanto as Nações Unidas concluíam a retirada parcial de seus efetivos no país. O jornal oficial As Saura considerou o Conselho de Segurança capaz de impedir uma nova agressão norte-americana contra o Iraque e acrescentou que Kofi Annan deve ‘‘intervir para desativar a tensão e impedir uma agressão militar’’.
Annan viajou a Bagdá em fevereiro passado para solucionar a crise então causada pela proibição por parte de Bagdá das inspeções da ONU às instalações presidenciais, evitando assim um ataque norte-americano contra o Iraque. Mas, ao romper recentemente com os especialistas em desarmamento da Comissão Especial da ONU (UNSCOM), o Iraque violou o acordo acertado em fevereiro.
Annan lançou quarta-feira um apelo ao Iraque para que Bagdá reinicie a cooperação com a UNSCOM, sem, no entanto, manifestar a intenção de pessoalmente intervir na crise, remetendo a questão sempre ao Conselho de Segurança.
Por outra parte, os Estados Unidos reduzem ao mínimo a margem de manobra dos diplomatas. ‘‘A situação é clara em termos do que (Saddam Hussein) deve fazer e não se presta à negociação diplomática’’, declarou quarta-feira o porta-voz do departamento de Estado James Rubin.
O vice-ministro iraquiano Tarek Aziz, no entanto, reiterou ontem ao emissário de Annan que Bagdá não pode mudar de posição enquanto o Conselho de Segurança não se comprometer em suspender o embargo. Saddam Hussein reuniu comandantes militares para preparar o sistema de defesa do país.
Enquanto isso, a ONU terminou ontem a evacuação parcial de seus efetivos no Iraque, decidida como precaução em caso de ataque norte-americano. Dois ônibus que transportavam 21 membros do pessoal humanitário deixaram a sede da ONU em Bagdá.
Segundo um porta-voz da ONU, Eric Falt, 50 membros do pessoal permanecerão em Bagdá para ‘‘supervisionar o funcionamento do programa petróleo por alimentos’’ e 231 permanecerão nas províncias curdas do Norte do país.
A ONU retirou quarta-feira 130 membros do pessoal humanitário, que foram enviados para Jordânia, enquanto que o pessoal encarregado do desarmamento - mais de uma centena - deixou o Iraque com destino a Bahrein, sua base de retaguarda.
A retirada dos inspetores agravou as tensões no Conselho, onde três membros permamentes - China, Rússia e França - protestaram por não terem sido consultados a respeito. O Iraque aproveitou a ocasião para reiterar que a UNSCOM está a serviço dos Estados Unidos.

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