Iraque pede diálogo e faz ameaças
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sexta-feira, 30 de agosto de 2002
Agência EFE 
BeiruteO vice-presidente iraquiano Taha Yassin Ramadã afirmou ontem que seu país deseja o diálogo para solucionar os problemas pendentes, mas advertiu que ''o Iraque não é o Afeganistão e se defenderá com todos os meios a seu alcance'' caso os EUA ataquem seu território. Ramadã, que chegou quinta-feira à noite a Beirute procedente de Damasco, entregou ontem uma mensagem do presidente de seu país, Saddam Hussein, ao chefe do Estado libanês, Emile Lahud, durante uma reunião na qual trataram das ameaças norte-americanas de atacar o Iraque. Segundo o responsável iraquiano, seu Governo está convencido da ''necessidade de um diálogo'' para solucionar os problemas pendentes e disse que a negociação ''não deve limitar-se ao regresso dos inspetores da ONU''. Para ele, os inspetores ''já completaram sua missão'' nos quase oito anos, de 1991 a 1998, em que supervisionaram o desmantelamento das armas de destruição em massa iraquianas, por isso o Iraque exige a suspensão do embargo imposto ao país em 1990, quando suas tropas invadiram o Kuwait, emirado do qual foram expulsas por uma coalizão internacional liderada pelos EUA, em 1991.
Sobre as recentes reuniões realizadas em Londres e Washington por opositores iraquianos, sob os auspícios dos governos britânico e norte-americano, Ramadã insistiu que ''não se pode falar de uma oposição iraquiana, porque não tem presença nem raízes no país''.
Na conversa com Lahud, atual presidente da Cúpula Árabe, Ramadã pediu que o Líbano analise as ameaças norte-americanas ao Iraque na reunião de ministros de Assuntos Exteriores da Liga Árabe convocada para a próxima semana no Cairo. Também falou sobre a possibilidade de adotar uma posição árabe comum, que expresse a solidariedade de todo o mundo árabe em relação ao Iraque.
O presidente libanês afirmou que trabalha para impedir um ataque ao Iraque, que ''seria dirigido contra todos os árabes'', segundo ele. Lahud advertiu que os israelenses não devem tentar aproveitar as circunstâncias para atacar o Iraque com ''o pretexto de uma suposta luta antiterrorista'', e destacou que esse país é ''o Estado terrorista por excelência''.
Árabes buscam os motivosAs verdadeiras razões do presidente norte-americano George W. Bush para querer atacar militarmente o Iraque são as dúvidas manifestadas por analistas e comentaristas árabes e as explicações vão de objetivos estratégicos à obsessão para lavar a ''humilhação'' dos atentados de 11 de setembro. Vários observadores suspeitam que Washington quer reorganizar uma região que considera como uma ameaça. Para o subsecretário geral da Liga Árabe, Said Kamal, ''os Estados Unidos querem balcanizar a região para controlá-la melhor'', segundo ''uma estratégia proposta por Israel''.
Índia questionaA Índia, país não alinhado e que se apresenta como a maior democracia do mundo, também é contrária a qualquer ataque para mudar o regime no Iraque. Seus especialistas sugerem que Washington se interesse mais pelo perigo que os aliados Paquistão e Arábia Saudita oferecem.
Apoio popularSetenta e dois por cento dos norte-americanos apoiariam o presidente George W. Bush num ataque ao Iraque, segundo os resultados de uma pesquisa que estará detalhada segunda-feira na revista Newsweek.


