Bagdá O Iraque fez um apelo, ontem, para que a comunidade internacional coloque em prática sua oposição a um possível ataque dos Estados Unidos, país que, por sua vez, continua mobilizando reforços para a região e cujo efetivo no setor deve chegar a 150 mil homens. ''Está claro que há muitas vozes no mundo inteiro denunciando as intenções agressivas dos Estados Unidos e pedindo a suspensão do embargo imposto ao povo iraquiano, mas isso não é suficiente'', escreveu o jornal As-Saura, do partido Baas no poder em Bagdá.
''São necessárias medidas eficazes para controlar o agressor e suspender o embargo contra o Iraque'', acrescentou o jornal. O jornal Al-Iraq, por sua vez, convocou a comunidade internacional a pedir ao Conselho de Segurança da ONU que ''detenha a histeria norte-americana e reconheça o direito do Iraque à suspensão do embargo''.
''A comunidade internacional deve provar que o Conselho de Segurança é uma verdadeira garantia da segurança do mundo e não um instrumento nas mãos da Casa Branca'', acrescentou.
Esses comentários acontecem enquanto os Estados Unidos aceleram os preparativos para uma possível guerra, concentrando na região uma força, que, segundo o New York Times, terá 150 mil homens, até fevereiro.
Guerra por e-mail Os militares norte-americanos começaram uma campanha por e-mail no Iraque pedindo aos líderes militares e civis iraquianos que se afastem de Saddam Hussein, informou este sábado um funcionário do Pentágono, pedindo anonimato.
Os iraquianos começaram a receber estes e-mails na semana passada, disseram visitantes ao país. No Iraque, o serviço de e-mail é controlado pelo governo e apenas alguns iraquianos têm acesso a ele, fundamentalmente funcionários do governo, burocratas em altos cargos, acadêmicos e cientistas.
''Se você fornecer informação sobre armas de destruição em massa ou trabalhar para impedir seu uso, faremos o possível para proteger você e sua família'', diz uma das mensagens. ''E se você não o fizer, sofrerá as consequências'', continua.
A propaganda segue a linha da política do governo de George W. Bush de convencer os soldados iraquianos a derrubar Saddam Hussein ou, pelo menos, abandonar suas armas quando a guerra começar.
''As armas químicas, biológicas e nucleares iraquianas violam o compromisso do Iraque com acordos e resoluções das Nações Unidas, e o Iraque tem sido isolado por isso'', assinala outra das mensagens.
''Os Estados Unidos e seus aliados desejam que o povo iraquiano seja libertado da injustiça de Saddam e que o Iraque se torne um membro respeitado da comunidade internacional. O futuro do Iraque depende de você'', conclui o e-mail. Os Estados Unidos iniciaram uma operação psicológica no Iraque no mês passado, lançando panfletos e emitindo mensagens por rádio para fomentar o desentendimento entre os soldados iraquianos.

mockup