Iraque pede ajuda e não promessas
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quinta-feira, 23 de outubro de 2003
France Presse 
Madri Um porta-voz do governo provisório iraquiano, Mowaffak Al Rubaie, pediu ontem à comunidade internacional um financiamento, e não promessas, para reerguer a economia iraquiana após duas décadas de ditadura. ''O povo iraquiano precisa de financiamento, não de promessas'', declarou Al Rubaie que expôs, junto ao ministro de Deslocados e Imigração, Mohammad Khassim, e ao secretário de Estado de Cooperação Internacional espanhol, Rafael Rodríguez-Ponga, a situação humanitária no Iraque e as medidas necessárias para melhorá-la.
''Evocamos a situação lamentável na qual encontramos o Iraque, tanto no plano econômico como no humano'', afirmou Al Rubaie durante uma reunião setorial à margem da conferência de países doadores para o Iraque, realizada ontem em Madri.
Segundo ele, os serviços básicos no país árabe ''estão piores de que nos anos 80, antes da guerra contra o Irã''.
Al Rubaie lembrou que, ''em termos alimentares, mais de 60% dos 23 milhões de iraquianos sobrevivem do racionamento, enquanto menos de 10% da população desfruta de infra-estruturas de saneamento e menos da metade dos iraquianos tem acesso à água potável''.
O porta-voz do governo provisório iraquiano destacou que é preciso reconstruir não só as infra-estruturas materiais, como também a mentalidade da população.
''O antigo regime de Saddam Hussein moldou a mentalidade das pessoas, agora temos de promover uma nova mudança, e incentivar as pessoas a pensarem livremente'', acredita Al Rubaie.
Previsão O porta-voz iraquiano demonstrou otimismo ao predizer que o Iraque poderá se tornar ''o Japão do Oriente Médio'', referindo-se ao ressurgimento desse país após sua derrota na Segunda Guerra Mundial.
''O Iraque tem que partir de menos de zero'', para voltar a ocupar sua posição na comunidade internacional, estimou Al Rubaie.
Para o porta-voz, o Iraque possui potencial e recursos para se reconstruir, mas não tem neste momento a capacidade de explorar estes recursos.
''Bagdá não está em Madri para mendigar, porque nosso país tem um potencial enorme. O Iraque tem grandes oportunidades, e quem nos ajudar terá sua compensação'', afirmou Al Rubaie.
Apesar de estar convencido de que muitos países agora reticentes, como a França, a Alemanha ou a Rússia, acabarão ajudando o Iraque, o porta-voz afirmou que ''os que nos ajudarem agora receberão um tratamento diferente dos outros''.
Posição de Annan A reconstrução do Iraque não pode esperar o restabelecimento de um governo iraquiano soberano, afirmou ontem em Madri o secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, durante a abertura da Conferência de Doadores. ''Todos desejamos o estabelecimento o mais rápido possível de um governo soberano iraquiano, mas o início da reconstrução do Iraque não pode esperar até esse dia'', declarou Annan.
Protesto Cerca de mil pessoas saíram às ruas ontem, em Madri, pra protestar contra a Conferência de Doadores para o Iraque, em uma manifestação que ocorreu sem incidentes.
Outros atos de protesto contra a conferência estão previstos em outras cidades espanholas, para exigir a retirada das forças de ocupação do Iraque.


