Iraque não permite vôos civis da ONU
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quinta-feira, 24 de dezembro de 1998
Reuters 
O Iraque proibiu ontem vôos civis da ONU sobre seu território, denunciou novas violações de seu espaço aéreo e começou a reconstruir os edifícios destruídos na semana passada por quatro dias de bombardeios anglo-americanos.
As autoridades iraquianas não autorizaram o pouso do avião que levaria para o Bahrein o representante especial da Secretaria-Geral da ONU em Bagdá, o indiano Prakash Shah - que está tirando dez dias de folga. Com isso, ele e o coordenador humanitário da organização no Iraque, o alemão Hans von Sponeck, tiveram de ir por terra para Amã.
O Iraque garantiu que a proibição de vôos é temporária e visa a garantir a segurança do próprio pessoal da ONU em meio às missões de vigilância que aviões militares anglo-americanos realizam no sul do país - onde patrulham uma zona de exclusão aérea para evitar ataques iraquianos à minoria xiíta.
Não é um banimento, é uma retenção de vôos, por causa dos perigos envolvidos, disse o embaixador iraquiano na ONU, Nizar Hamdoon. Pode haver fogo cruzado (entre os caças ocidentais e a defesa antiaérea iraquiana), pondo em perigo os vôos civis. O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse esperar que seja uma situação temporária.
Em Bagdá, enquanto centenas de operários, usando buldôzeres e guindastes, reparavam casas, hospitais e escolas atingidos pela Operação Raposa do Deserto, um porta-voz do Exército iraquiano acusou aviões ocidentais de violar seu espaço aéreo pelo segundo dia seguido, mas desta vez não relatou nenhum ataque.
Segundo o porta-voz, seis formações de jatos dos corvos agressores vieram da Arábia Saudita e sobrevoaram as cidades de Nasiriya e Samawa, no sul do país, às 9h10, fora do alcance da defesa antiaérea. Às 15h05, outras seis formações, vindas do Kuwait e da Arábia Saudita, fizeram o mesmo.
Na véspera, autoridades iraquianas haviam informado que aviões invasores lançaram dois mísseis perto da cidade de Basra, mas os EUA e a Grã-Bretanha desmentiram essa versão.
O secretário de Defesa dos EUA, William Cohen, iniciou ontem pelo Kuwait uma visita natalina às tropas americanas no Golfo Pérsico e anunciou que, nos próximos dias, o porta-aviões Enterprise e sua frota de combate deixarão a área e a presença militar americana na região será reduzida de 29,9 mil homens para 21 mil ou 22 mil.
Já a imprensa oficial iraquiana pediu que o Conselho de Segurança condene os EUA e a Grã-Bretanha pela Operação Raposa do Deserto e ordene que eles paguem uma indenização pelas vítimas e danos causados.
Segundo Bagdá, 62 militares e um total muito maior de civis morreram nos bombardeios. O jornal árabe Asharq al-Awsat informou ontem que houve mais de mil mortos.


