DubaiO vice-premier iraquiano, Tarek Aziz, afirmou ontem, numa entrevista a uma televisão árabe, que Bagdá se nega a autorizar o regresso dos inspetores de desarmamento da ONU e que seu país daria ''uma lição'' aos Estados Unidos se ocorresse um ataque norte-americano, ''Qualquer volta incondicional dos inspetores não resolverá o problema'' entre Iraque e Nações Unidas, disse Aziz ao canal por satélite Middle East Broadcasting Center (MBC), com sede em Dubai. ''Os inspetores (da ONU) têm interesse em ficar no Iraque, é puro negócio'' entre eles e os norte-americanos, acrescentou.
''Temos capacidade para defender nossa pátria e os meios de fazê-lo. Vamos combater com valentia e lhes daremos uma lição'', afirmou o vice-premier.
Petróleo dispara
O barril do petróleo cru fechou ontem pouco abaixo do limite de 30 dólares no mercado futuro de Nova York, alta que foi estimulada pelas novas declarações do presidente norte-americano Geoge W. Bush sobre o Iraque e as do vice-primeiro-ministro iraquiano Tarek Aziz, que avivaram os temores de uma guerra.
Bush exigiu, ontem, que qualquer resolução do Conselho de Segurança sobre o desarmamento do Iraque inclua um prazo de ''dias ou semanas''.
CS aprova prazo
Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança consentiram, ontem, em estabelecer um tempo limite para que o Iraque permita que os inspetores da ONU voltem ao país, disse o chanceler britânico Jack Straw. Há ''unanimidade sobre a urgência dos inspetores de armamentos voltarem ao Iraque'', disse Straw aos jornalsitas, depois de almoçar com os chanceleres dos outros quatro membros permanentes do conselho: China, França, Rússia e Estados Unidos.
Posição de Powell
O secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, declarou ontem que defenderá ante o Conselho de Segurança da ONU uma resolução ''muito dura'' contra o Iraque. ''Devemos trabalhar em resoluções ou em uma resolução que intime o Iraque a renunciar às armas de destruição em massa e que não seja do tipo das resoluções que foram aprovadas anteriormente'', disse Powell à rede CBS. O secretário de Estado adiantou que ''é preciso que o texto tenha um prazo determinado e que seja duro, muito duro''. Mas Powell não quis dizer que prazo poderia ser concedido ao Iraque, afirmando que é algo a ser decidido.
Apelo de Mubarak
O presidente de Egito, Hosni Mubarak, pediu ontem ao Iraque que aproveite a ocasião oferecida pelo presidente norte-americano George W. Bush em seu discurso da véspera, em Nova York, para ''aplicar as resoluções da ONU'' sobre o desarmamento. ''O presidente Mubarak parabenizou a ocasião oferecida pelo presidente norte-americano para resolver o problema iraquiano, pois Bush afirmou que a ONU e o Conselho de Segurança, em particular, têm um papel importante ante a questão iraquiana'', informou a agência egípcia MENA.
Armas atômicas
O Iraque poderá dispor de armas atômicas em um ano, afirmou ontem em Washington o ministro israelense de Assuntos Exteriores, Shimon Peres, ao final de uma reunião com o número dois do departamento de Estado, Richard Armitage, sem acrescentar mais detalhes.
Segundo o chefe da diplomacia israelense, ''Saddam Hussein não mudará. É muito tarde. Sua atitude revela o que será sua política no futuro''.

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