France Presse




Endurecendo o jogoTareq Aziz quer negociar em Nova York: ‘‘A comissão deveria ser um órgão da ONU, mas, na verdade, é americano’’. O presidente dos EUA, Bill Clinton não descarta ‘‘nenhuma opção’’

Mantendo o desafio a Washington, o Iraque rejeitou ontem a pressão das Nações Unidas para que levantasse a proibição de que técnicos americanos da Comissão Especial da ONU (Unscom) participem da inspeção de suas instalações militares e reiterou a ameaça velada de abater aviões de reconhecimento U-2 dos EUA. O Pentágono reagiu, advertindo que qualquer tentativa de derrubar aviões americanos será considerada um ‘‘ato de guerra’’ e receberá uma resposta militar.
Enquanto uma delegação diplomática da ONU saía do Iraque sem ter conseguido fazer Saddam Hussein recuar, as equipes da Unscom, integradas por americanos, eram, pelo quinto dia seguido, impedidas de trabalhar. Segundo o chefe da Unscom, Richard Butler, os iraquianos não permitiram o acesso a detectores de produtos que podem ser usados em armas químicas.
Em entrevista coletiva em Bagdá, o vice-primeiro-ministro iraquiano, Tareq Aziz, criticou duramente a Unscom e os EUA. ‘‘A comissão deveria ser um órgão da ONU, mas, na verdade, é um órgão americano.’’ Aziz afirmou que não se pode esperar um comportamento justo da Unscom quando ‘‘o juiz é o adversário’’, acrescentando: ‘‘A Unscom está sendo usada como meio e como cobertura para manter as sanções (impostas em 1990, após a invasão iraquiana do Kuwait).’’
Aziz alegou que os aviões U-2 não têm sido usados para auxiliar a Unscom, mas ‘‘para tirar fotos que capacitem os EUA a atacar’’ o Iraque. ‘‘Isso é inadmissível - todo o nosso sistema antiaéreo está preparado para derrubar qualquer avião que penetre em nosso espaço.’’ Os vôos de reconhecimento, atualmente suspensos, estão previstos para recomeçar na próxima semana.
Entretanto, Aziz garantiu que ‘‘está pronto para um diálogo construtivo’’ com a ONU e, para isso, pretende ir a Nova York na próxima semana. Ele disse ainda que o Iraque não porá em prática sua decisão (anunciada dia 29) de expulsar os inspetores americanos - acusados de espionagem - enquanto durar o diálogo.
A delegação da ONU apresentará segunda-feira ao Conselho de Segurança um relatório sobre sua missão. O presidente dos EUA, Bill Clinton, disse não ver motivo para ter esperança de que a crise seja solucionada e não descartou nenhuma opção com relação a Bagdá.

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