Iraque mantém ameaça contra aviões
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 01 de janeiro de 1999
Reuters 
Um dia depois de ter atacado, pela segunda vez em três dias, aviões da aliança militar anglo-americana nas zonas de exclusão aérea estabelecidas no norte e no sul do país, o Iraque manteve ontem sua retórica de guerra, com o vice-primeiro-ministro Tarek Aziz afirmando que a batalha contra a agressão e os agressores não vai parar.
Bombardeado por mísseis disparados por americanos e britânicos entre os dias 16 e 19, o Iraque vem retaliando com ataques de suas baterias antiaéreas contra aviões dos EUA e da Grã-Bretanha que patrulham a área de proibição. As zonas de exclusão foram estabelecidas pelos países ocidentais ao norte do paralelo 36 e ao sul do 32 para evitar que o regime de Saddam Hussein pudesse atacar a minoria étnica curda e grupos muçulmanos xiítas que se opõem ao regime.
Nos últimos dias, porém, o governo iraquiano intensificou o desafio à proibição de sobrevoar essas partes de seu território e, no sábado, anunciou que vai pôr abaixo qualquer avião estrangeiro que, no entender do regime do Iraque, violar seu espaço aéreo. Enquanto Aziz deixava claro que o Iraque continuará a disparar seus mísseis antiaéreos, o general Ali Hassan al-Majid, membro do poderoso Conselho da Revolução, insistia na versão de que um caça, americano ou britânico, foi abatido quarta-feira pelas forças iraquianas na zona de exclusão do sul.
Em Washington, o Departamento de Defesa dos EUA (Pentágono) havia desmentido a versão iraquiana, assegurando que todos os caças envolvidos nos incidentes de segunda e quarta-feira nas áreas de proibição retornaram às suas bases sem danos. Os caças dos EUA responderam ao fogo iraquiano nas duas ocasiões.
Um grupo de opositores iraquianos denunciou ontem a execução de 17 prisioneiros pelo governo do Iraque. Segundo os opositores, as autoridades da prisão de Abu Gharib eliminaram fisicamente 17 detidos em novembro, depois de tê-los forçado a doar sangue. O comunicado do grupo, divulgado em Damasco, capital síria, informa que as vítimas estavam entre os acusados de participar do levante de março de 1991.


