Horas depois de prometer expulsar os inspetores de armas da Comissão Especial da ONU (Unscom) que tentassem entrar nos palácios do ditador Saddam Hussein, o governo iraquiano resolveu ontem convidar esses especialistas a visitar os complexos presidenciais.
‘‘Decidimos fazer um convite a dois representantes de todos os países da Unscom e a cinco outros de cada membro permanente do Conselho de Segurança, incluindo especialistas e embaixadores, e acolhê-los nos palácios e em outros sítios presidenciais por uma semana ou mais’’, anunciou o governo iraquiano.
Há dias as autoridades iraquianas vinham declarando que os palácios - segundo os EUA, 78 - estavam fora do alcance dos inspetores de armas. Na noite de terça-feira, o chanceler Mohammed Said al-Sahaf chegou a advertir: ‘‘Se eles ousarem ir a qualquer um desses lugares, vamos expulsá-los - e que os EUA bombardeiem o Iraque!’’
Ontem, porém, o governo mudou de idéia. Segundo a nota divulgada pela Ina, o convite aos inspetores ‘‘é mais um tapa na cara’’ dos EUA, que têm ameaçado atacar o Iraque se este não abrir as instalações presidenciais à Unscom, encarregada de supervisionar o desmantelamento dos arsenais iraquianos de destruição em massa. Os EUA suspeitam que o Iraque esteja escondendo armas proibidas ou documentos sobre elas em seus palácios.
Ontem mesmo, antes do anúncio do convite, o comandante das forças americanas no Golfo Pérsico (que incluem dois porta-aviões), general Anthony Zinni, garantiu que os aliados dos EUA na região apoiariam o lançamento de uma ação militar enérgica contra o Iraque. ‘‘Chega de alfinetadas: se Saddam, por exemplo, atacar nosso (avião espião) U-2 ou surgir uma situação à qual devamos responder, faremos isso seriamente’’, advertiu Zinni.

mockup