Iraque endurece o tom contra os EUA
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 11 de outubro de 2002
Salim Yassine<BR>France Presse 
BagdáO Iraque, que nos últimos dias fez concessões sobre a inspeção de seus armamentos, endureceu novamente sua postura depois que o Congresso norte-americano concedeu ao presidente George W. Bush o poder de usar a força contra o regime de Saddam Hussein.
O Iraque está ''pronto para responder de imediato a um ataque norte-americano'', declarou o vice-ministro iraquiano Tarek Aziz, na primeira reação iraquiana à votação do Congresso dos Estados Unidos.
Interrogado sobre a data de um eventual ataque norte-americano, Aziz declarou: ''Não somos nós que decidimos, mas estamos prontos para responder imediatamente''.
''Não me surpreende esta votação (do Congresso dos EUA) e vamos enfrentar os planos de agressão dos Estados Unidos'', disse Aziz aos jornalistas, ao término de um encontro em Beirute com o presidente libanês Emile Lahoud.
O representante iraquiano também fez uma advertência aos países árabes: ''O plano de agressão norte-americano não contempla apenas o Iraque. Se esta agressão for realizada, terá consequências desastrosas para todo o mundo, inclusive para aqueles que facilitarem os serviços dos agressores norte-americanos''.
Estas declarações ganham importância em um momento no qual atos antiocidente são realizados no Golfo Pérsico, onde foi registrada uma explosão em um petroleiro francês nas costas do Iêmen.
Por outro lado, o ministro da Indústria Militar iraquiano, Abdel Tawab Mulla Howeich, havia declarado na quinta-feira que seu país dará aos Estados Unidos ''uma lição inesquecível se for atacado''.
O representante iraquiano na ONU, Mohamed Al Duri, também endureceu o tom de seu discurso, acusando Washington e Londres de retardar o retorno a Bagdá dos inspetores da ONU encarregados de verificar o desarmamento do Iraque.


