Iraque é atingido por novo bombardeio
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terça-feira, 29 de dezembro de 1998
Reuters 
Aviões de guerra dos Estados Unidos lançaram ontem novas ofensivas na zona de exclusão aérea ao norte do território iraquiano. A ação ocorreu uma semana depois da suspensão dos ataques anglo-americanos contra o Iraque. De acordo com a agência de notícias estatal do Iraque, INA, aviões inimigos procedentes da Turquia dispararam dois mísseis contra um posto de defesa antiaérea iraquiano, causando a morte de quatro soldados e ferimentos em outros sete.
A agência informou ainda que um dos aviões agressores tinha sido abatido. Nenhuma outra fonte, no entanto, confirmou essa informação. Segundo um porta-voz militar iraquiano, foi ordenada uma operação de busca aos destroços do aparelho e de seu piloto. De acordo com a fonte, os Estados Unidos não anunciaram a queda do avião provavelmente para possibilitar que o piloto, caso esteja vivo, possa infiltrar-se no Iraque ou para permitir que agentes americanos consigam levar de volta o seu corpo caso ele tenha morrido.
Nossos pilotos atacaram porque foram atacados e eles têm autoridades para agir em defesa própria, caso sejam ameaçados, disse o presidente americano, Bill Clinton, durante uma cerimônia na Casa Branca. Segundo Clinton, os aviões que patrulham a zona de exclusão no norte do Iraque realizaram uma manobra evasiva logo depois de algumas baterias antiaéreas iraquianas terem lançado uma ofensiva com mísseis terra-ar. Os aviões atacados retornaram sem danos às suas bases, respondendo ao ataque horas depois. O ataque iraquiano foi uma ação hostil, uma agressão do regime de Saddam (Hussein), acrescentou Clinton. As zonas de exclusão têm sido e continuaram sendo parte importante de nossa política de evitar que o Iraque reprima seu próprio povo ou ataque seus vizinhos.
Domingo, o vice-presidente iraquiano, Taha Ramadan, havia advertido que as Forças Armadas do país atacariam todos os aviões estrangeiros nas áreas de exclusão tanto ao norte como ao sul do território iraquiano. Estamos deixando bem claro que toda a violação de nosso espaço aéreo terá de enfrentar o fogo iraquiano, ameaçou. Horas antes, aviões de patrulha britânicos tinham sido alvo de ataques da artilharia antiaérea do Iraque. Em Londres, um porta-voz do Ministério da Defesa britânico informou que nenhum avião da Grã-Bretanha participou do ataque de ontem nas proximidades da zona de exclusão. O Pentágono, em Washington, confirmou a versão.
Americanos e britânicos iniciaram no dia 16 a maior ofensiva aérea contra o Iraque desde o fim da Guerra do Golfo, em 1991. Durante mais de 70 horas, 425 mísseis foram disparados no bombardeio ao país, deixando o saldo de pelo menos 60 mortos.


