Suleimaniya, Iraque O administrador civil americano do Iraque, general Jay Garner, pronunciou-se ontem a favor de um governo iraquiano representativo do ''mosaico'' de todos os povos que vivem no país, depois de se reunir com os chefes curdos do norte. ''O novo governo iraquiano terá um dirigente, um exército'', disse Garner à imprensa após um almoço de trabalho na cidade curda de Dukan (norte do Iraque) com os líderes curdos Jalal Talabani, da União Patriótica do Curdistão (UPC), e Masud Barzani, do Partido Democrático do Curdistão (PDC). ''Gostaria que o futuro governo representasse todos os iraquianos'', acrescentou o general da reserva, que chegou segunda-feira ao Iraque.
Por seu lado, Talabani reiterou que não aspira a um Curdistão independente: ''Não é nosso sonho'', disse o líder do partido que controla essa região do Iraque junto com seu adversário, do PDC, desde o fim da Guerra do Golfo (1991). ''Nosso sonho é viver em um Iraque democrático. Embora achemos que o povo curdo tem, como todos os demais povos do mundo, direito à autodeterminação, mas hoje queremos trabalhar no contexto do Iraque'', afirmou. Pouco antes, Talabani disse a Garner que apoiava a proposta de governo federal feita pelo presidente americano George W. Bush.
''É uma proposta muito boa para o Iraque'', afirmou Talabani.
Um porta-voz do PDC também concordou com a idéia de um governo federal. ''O federalismo é a solução para os curdos em um novo Iraque'', considerou esse porta-voz, Hoshiyar Zebari, para quem a visita de Garner era ''um momento crucial para o povo iraquiano e para os curdos''.
Antes, em Suleimaniya, centro do poder da UPC, Garner falou aos estudantes da universidade. ''O que vocês fizeram nos últimos doze anos é um princípio de autonomia extraordinário. O que fizeram pode servir de modelo para o resto do Iraque'', disse.
''Ontem estive em Bagdá e visitei um hospital no qual havia cinco doentes renais que só podiam receber tratamento por duas horas ao dia. À noite estive em um dos palácios de Saddam Hussein e constatei seu esplendor. Fiquei com pena porque não foi compartilhado jamais com o povo'', comentou o general.
Fim das sanções O embaixador dos Estados Unidos na ONU, John Negroponte, pediu ontem o fim, ''o mais rápido possível'', das sanções ao Iraque, ao mesmo tempo que em Washington o departamento de Estado descartava a proposta francesa de suspender as sanções civis.
''As sanções devem ser suspensas o quanto antes'', declarou Negroponte à imprensa.
''Devemos trabalhar com a França e outros países para ver qual é a maneira de alcançar este objetivo o mais rapidamente possível'', acrescentou.
Colin Powell A Casa Branca defendeu ontem o secretário de Estado, Colin Powell, das acusações de ter fracassado na etapa diplomática anterior à guerra no Iraque e de ter prejudicado o governo do presidente George W. Bush.

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