DamascoO vice-premier iraquiano, Tarek Aziz, acusou ontem os Estados Unidos de querer ''aniquilar o Iraque'' e dividir os países árabes, durante um discurso em Damasco, no segundo e último dia de um congresso de apoio ao Iraque. Os Estados Unidos ''querem acabar com o Iraque e depois dividir o Oriente Médio. Todos estamos ameaçados, nenhum país árabe estará a salvo, mesmo se participar da agressão (norte-americana) ao Iraque'', disse Aziz, diante de cerca de 500 pessoas. ''Depois de acabar seu crime no Iraque, voltarão sua atenção para os outros países árabes, já que, para os Estados Unidos, os árabes estão proibidos de possuir riquezas ou se pronunciar'', estimou.
De acordo com Aziz, a questão do Kuwait ''é apenas um pretexto para aniquilar o Iraque e sua liderança nacional, apoderar-se de suas riquezas e pôr fim a seu papel no conflito árabe-israelense (...) Desde o fim de 1991, todas as armas proibidas foram destruídas no Iraque'', insistiu. ''Os imperialistas dos Estados Unidos roubam as riquezas do Oriente Médio. É impossível que garantam sua estabilidade. Pelo contrário, criam problemas nas regiões que querem dominar''.
Ao citar a situação nos territórios palestinos, Aziz considerou que a nova Intifada é ''uma ação popular espontânea, que ninguém poderá deter''. Para ele, o premier de Israel, Ariel Sharon, ''quer expulsar os palestinos de suas terras através da violência. Já aconteceu em 1948, e depois em 1967, durante as guerras entre árabes e israelenses, mas atualmente a surpresa é que os palestinos não se foram, ficaram em suas terras''.
Aziz disse que ''foi o Iraque que lhes deu força para continuar resistindo à ocupação israelense''.
Efeitos do embargoAs autoridades iraquianas estimam em quase 30.700 os cidadãos mortos em julho e agosto passados devido a diversas enfermidades e desnutrição causadas pelo embargo ao qual está submetido o país desde 1990, segundo um comunicado do ministério da saúde.
''Pelo menos 30.000 pessoas morreram durante os meses de julho e agosto devido a diversas enfermidades, à escassez de alimentos e de medicamentos e por causa da continuação das agressões cotidianas'', acrescentou a nota difundida pela televisão via satélite iraquiana.
A 28 de setembro, o ministro da saúde, Umid Medhat Mubarak, afirmou que o embargo havia causado mais de 1,7 milhão de mortos em doze anos, assinalando que o uso pelos norte-americanos e britânicos de munições com urânio empobrecido no sul do país durante a guerra do Golfo em 1991 ''continua ocasionando numerosos casos de câncer e deformações congênitas''.

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