O Iraque acusou ontem o chefe da Comissão Especial da ONU encarregada do Desarmamento iraquiano (UNSCOM), o australiano Richard Butler, de parcialidade e declarou que a visita que ele realizará na próxima semana a Bagdá está ‘‘condenada ao fracasso’’.
‘‘Butler adota uma atitude política tendenciosa, e se colocou nas fileiras do inimigo do Iraque’’, afirmou o jornal oficial Al Saura.
Butler visitará Bagdá de 12 a 16 de dezembro para tentar persuadir o governo iraquiano a permitir a busca de armas proibidas nos palácios presidenciais. O Iraque, por sua vez, fez saber que está esperando por um calendário para por fim à questão do armamento proibido.
Em carta enviada ao chefe da UNSCOM, o vice-primeiro-ministro iraquiano Tarek Aziz ignorou a proposta de Butler em discutir prioritariamente o acesso às instalações presidenciais.
Aziz considerou que nas discussões deve ser tratado o fechamento do expediente dos mísseis, a fixação de uma data limite para fechar o expediente das armas químicas e os mecanismos que permitam fechar o expediente biológico.
O jornal Al Saura escreveu que Butler ‘‘demonstra parcialidade flagrante em relação aos anglo-saxões, americanos e britânicos, e não é neutro ou objetivo’’. ‘‘Isso nos autoriza a questionar se ele tem capacidade necessária para cumprir uma missão que deve ser técnica e objetiva’’.
Entretanto, a UNSCOM continuou ontem sem obstáculos com suas inspeções no Iraque, pelo décimo terceiro dia consecutivo, indicou um funcionário iraquiano.
Nove equipes inspecionaram 16 locais, entre eles oito que não estão submetidos à supervisão da ONU, declarou o general Hussam Mohammad Amin, diretor do organismo de supervisão nacional, o comitê iraquiano da UNSCOM.
Outra equipe sobrevoou vários locais de helicóptero, segundo informações divulgadas pelo responsável iraquiano, citado pela agência oficial INA.

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