Bagdá
O Iraque acusou ontem o Irã de ter bombardeado seu território, onde existem bases de opositores iranianos, e pediu o levantamento da proibição de voar que pesa sobre Bagdá, para poder se defender dos ataques.
Observadores da ONU no Iraque - que supervisionam a aplicação dos acordos de intecâmbio de ‘‘petróleo por alimentos’’- foram evacuados ontem de duas zonas bombardeadas pela viação iraniana, informaram membros das Nações Unidas.‘‘Os observadores da província de Diyala foram chamados a Bagdá e os que trabalhavam em Wassit foram chamados a Basra (sul do Iraque), como medida de precaução’’, afirmou a AFP Eric Falt, porta-voz da ONU.
Bagdá não especificou os objetivos alcançados pela incursão aérea iraniana, mas os mudjahedines do povo - a oposição ao regime islãmico iraniano que opera a partir do Iraque - afirmaram que duas de suas bases foram bombardeadas. O ministério iraquiano das relações exteriores assegurou que oito caças iranianos bombardearam duas posições próximas a fronteira com o Irã; uma na rgião de Diyala, a noroeste de Bagdá, e outra na província de Wassit, a sudestes, na zona de proibição de vôos Iraquianos imposta pelos Estados Unidos e Grã-Bretanha.
Movimentação na Síria A Síria transferiu uma divisão de carros de combate perto de suas fronteiras com a Turquia e Iraque, e Bagdá pôs suas forças em estado de alerta, depois da incursão do exército turco no norte do Iraque para atacar os separatistas curdos do PKK (Partido Trabalhista do Curdistão), informou ontem um representante de um grupo iraquiano de oposição.
‘‘A Síria transferiu nos últimos dias uma divisão blindada de cerca de 5.000 homens para a zona onde se encontram suas fronteiras com Turquia e Iraque’’, disse um porta-voz do Conselho Nacional Iraquiano (CNI) em Londres. ‘‘Todas as unidades regulares do exército iraquiano e da Guarda republicana estão em estado de alerta máximo’’, precisou a mesma fonte.
As notícias sobre os movimentos das tropas sírias e iraquianas chegam ao mesmo tempo que as informações sobre os bombardeios dos F-16 e F-4 turcos contra o Partido Trabalhista do Curdistão (PKK, separatistas curdos da Turquia), no norte do Iraque, no sétimo dia de ataques do exército de Ancara nesta região, segundo fontes militares. Cerca de 100 rebeldes do PKK e dez soldados turcos morreram nos combates ocorrridos desde que começou a incursão, segundo fontes militares turcas.
EUA advertem o Iraque O departamento de Estado americano afirmou ontem que o Iraque deve respeitar a proibição de sobrevoar a zona de exclusão aérea ‘‘sejam quais forem as circunstâncias’’. James Rubin, porta-voz do Departamento, disse que os Estados Unidos ‘‘não apoiam as incursões iranianas, mas uma violação da zona de exclusão aérea por parte do Iraque não será considerado aceitável sob qualquer circunstãncias’’.

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