Iraque começa a definir seu futuro
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sábado, 31 de janeiro de 2009
Folhapress 
São Paulo - Cerca de 15 milhões de iraquianos estão habilitados para votar hoje pela primeira vez em quatro anos. As eleições provinciais devem indicar se o Iraque começa a superar os anos de violência e sectarismo que se seguiram à invasão americana de 2003, que derrubou o ditador Saddam Hussein, um muçulmano sunita, e instalou no poder central aliados da maioria xiita e da minoria curda.
Os eleitores irão às urnas em 14 das 18 Províncias (as três circunscrições do Curdistão iraquiano e a de Kirkuk, no norte do país, não terão sufrágio).
Mais de 14 mil candidatos estão inscritos, por mais de 400 partidos 75% das legendas concorrem pela primeira vez. Estão em disputa 440 cadeiras em 14 Conselhos Provinciais.
A competência dos órgãos é definida por lei e, entre outras atribuições, contempla definir as prioridades para as Províncias, monitorar e recomendar melhorias nos serviços públicos, gerar e coletar receitas independentemente, impondo tributos, e organizar a operação da administração provincial.
A reta final da campanha teve episódios de violência. Quinta-feira, três candidatos e dois funcionários da Comissão Eleitoral foram mortos, o que motivou as autoridades a decretar toque de recolher e fechar fronteiras em certas regiões.
Ontem, a agência Reuters noticiou que seus correspondentes no Iraque testemunharam tentativas de compra de voto partidos distribuindo bens como cobertores e relógios, além do fornecimento de camisas a um time de futebol.
Apesar de invocarem o risco de fraudes e o uso da máquina pública em favor das siglas da situação, analistas são enfáticos em destacar a expectativa de uma participação popular bem mais expressiva do que no pleito anterior, em 2005, quando foram eleitos parlamentares nacionais e provinciais. Os novos conselhos provavelmente desfrutarão de uma qualidade que falta aos atuais: legitimidade popular, registrou o centro de estudos International Crisis Group no seu relatório sobre a eleição.
Outro ponto em que é esperada uma reviravolta é no perfil dos eleitos, com avanço de candidatos de plataforma laica sobre o terreno hoje dominado por siglas confessionais.
Em dezembro, estão previstas eleições parlamentares nacionais, cuja campanha deverá ser influenciada pelos resultados do pleito de hoje.


