Iraque cede, mas impõe condições
Sob pressão cada vez maior, Bagdá informou ontem que aceita abrir aos inspetores da ONU, condicionalmente, todas as instalações suspeitas de esconder armas de destruição em massa (incluindo oito palácios do presidente Saddam Hussein), como prevê uma proposta russa.
Cada instalação é composta de dezenas de casas e palácios, então, quando falamos em oito palácios, queremos dizer todas as instalações no Iraque, disse o chanceler Mohammed Said al-Sahaf.
Mas, segundo Al-Sahaf, as equipes de inspeção teriam de ser compostas por representantes dos cinco países membros permanentes do Conselho de Segurança e das 21 nações integrantes da Unscom, a comissão da ONU encarregada de supervisionar o desarmamento iraquiano. Além disso, os grupos deveriam ser nomeados pelo secretário-geral da ONU, Kofi Annan. Al-Sahaf disse que a duração dos trabalhos seria determinada pelas próprias equipes, embora tenha estimado que dois meses seriam suficientes.
Segundo o vice-primeiro-ministro iraquiano, Tareq Aziz, é fundamental que representantes do Conselho de Segurança supervisionem as inspeções. A Unscom é o adversário. Ela não pode ser o juiz, disse Aziz.
Entretanto, os EUA e a Grã-Bretanha rejeitaram a oferta, reiterando que Bagdá não pode estabelecer condições para as inspeções. Saddam precisa deixar que os inspetores tenham acesso total e incondicional a todos os lugares suspeitos, insistiu o presidente americano, Bill Clinton. Se ele não agir, precisamos estar preparados para fazer isso, acrescentou. Todos esperamos poder evitar o uso da força, mas isso depende de Saddam.
Um porta-voz britânico disse apenas que a oferta iraquiana não cumpre os requisitos das resoluções da ONU. A França assinalou que a proposta é um passo à frente para a resolução da crise, mas ainda insuficiente.
Os EUA obtiveram ontem o apoio da Itália, Espanha e Dinamarca para usar a força caso fracassem as iniciativas diplomáticas. O ministro italiano de Relações Exteriores, Lamberto Dini, admitiu até a possibilidade de que a Itália coloque suas bases aéreas à disposição das forças americanas para um ataque ao Iraque.
Já seu colega alemão, Klaus Kinkel, esclareceu que a Alemanha concordou apenas em permitir o uso das bases americanas no país, não das alemãs, como se especulara.
Sábios islâmicos de todo o mundo muçulmano promoveram ontem uma manifestação em Bagdá contra qualquer ação militar dos EUA no Iraque e um deles pediu por ataques de represália contra alvos americanos caso tal ação ocorra. Muçulmanos de todo o mundo deviam alvejar interesses americanos em todos os lugares caso a América ataque o Iraque, afirmou Nadir al-Tamimi, do grupo palestino Jihad Islâmica, durante o protesto. (Reuter)





