JohannesburgoO vice-primeiro-ministro iraquiano Tarek Aziz pediu ontem à comunidade internacional que ''impeça uma nova agressão'' norte-americana contra seu país.
''Os Estados Unidos ameaçam realizar uma nova agressão contra o Iraque, o que provocaria mais devastação e catástrofes meio ambientais e impediria que os iraquianos suprissem suas necessidades'', explicou. ''A comunidade internacional deve se mobilizar contra esta nova agressão e levantar o embargo injusto que foi imposto ao Iraque'', continuou.
Um pouco antes, Aziz havia enumerado as consequências da guerra do Golfo e do embargo que o país sofre desde então. ''Há 12 anos sofremos um embargo geral e injusto, os agressores lançaram mais de 135.000 toneladas de explosivos no país'', afirmou, referindo-se a Grã-Bretanha e Estados Unidos, que patrulham a área de exclusão aérea iraquiana.
Segundo Aziz, a guerra, o embargo e a contaminação causada pelas ações de seus inimigos provocam doenças que antes não eram conhecidas. ''Os casos de câncer e más-formações congênitas se multiplicaram'', explicou, assegurando que nada pode fazer com que o país recupere seu nível econômico e social de 1991.
''Os passos para chegar a um desenvolvimento sustentável passam pelo fim das restrições internacionais contra o Iraque'', afirmou. Aziz anunciou que se reunirá hoje em Johannesburgo com o secretário-geral das Nações Unidas, Koffi Annan, para falar sobre o possível ataque norte-americano contra o Iraque.
Aziz acrescentou que o Iraque ''pode considerar'' o retorno a Bagdá dos especialistas em desarmamento da ONU, como parte ''de um acordo razoável''.
Moscou se opõeA Rússia se opõe a uma ''solução militar'' no Iraque, que, na sua avaliação, ''não apenas complicaria o problema iraquiano, mas desestabilizaria a situação em todo Oriente Médio'', declarou ontem em Moscou o chefe da diplomacia russa Igor Ivanov.
''Ressaltamos em várias ocasiões que uma solução militar não apenas complicaria o problema iraquiano mas também toda a situação no Oriente Médio'', afirmou Ivanov aos jornalistas depois de se reunir com o ministro das Relações Exteriores iraquiano Naji Sabri.
Durante as últimas semanas, a Rússia manifestou várias vezes sua oposição a um ataque norte-americano e pediu uma solução política com a participação do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Ao ser interrogado sobre a reação de Moscou se o Conselho de Segurança das Nações Unidas for chamado a autorizar ataques contra Iraque, Ivanov disse que espera que ''não seja necessário'' um veto russo.
''Achamos que a situação do Iraque pode se solucionar unicamente por meios diplomáticos. Estudamos as declarações de Washington sobre o caráter inevitável de uma solução militar ao problema iraquiano. Não houve um só argumento bem fundamentado que prove que o Iraque ameaça a segurança nacional dos Estados Unidos'', acrescentou. As declarações norte-americanas ''são de natureza política'', concluiu.

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