Bagdá
Iraque e ONU chegaram a um acordo sobre um plano de distribuição de víveres no Iraque como parte do acordo ‘‘petróleo por alimentos’’, que o secretário geral da ONU, Kofi Annan, aprovará nos próximos dias e que permitirá a Bagdá retomar suas exportações de óleo cru. ‘‘Assim que o plano for aprovado por Kofi Annan, o Iraque recomeçará a exportar petróleo’’, anunciou ontem o ministro iraquiano de Comércio, Mohammad Mehdi Saleh.
Dia 5 de dezembro passado, o Conselho de Segurança da ONU prorrogou pela terceira vez e durante outro semestre a aplicação do acordo ‘‘petróleo por alimentos’’. Nesse mesmo dia, o Iraque suspendeu suas exportações de óleo cru para protestar contra a demora na chegada de comida e anunciou que não recomeçaria a exportar até a aprovação de um novo plano de distribuição.
A resolução da ONU ‘‘petróleo por alimentos’’ permite a Bagdá exportar petróleo até o valor de 2 bilhões de dólares a cada seis meses. O acordo é aplicado desde dezembro de 1996 e é o primeiro sinal de alívio do embargo que pesa sobre o Iraque desde que invadiu o Kuwait em 1990.
Segundo Saleh, o novo plano ‘‘segue as diretrizes’’ do que foi aplicado no semestre precedente. Dos 2 bilhões de dólares, 1.300 se destinam à compra de víveres, medicamentos e equipamentos. O restante é empregado em reparações de guerra e no financiamento das atividades da Comissão especial da ONU encarregada do desarmamento iraquiano (Unscom).
Assim que Annan aprovar o plano, o Iraque colocará novamente seu petróleo no mercado internacional a um ritmo de 700.000 barris por dia. Cerca de 70% do petróleo iraquiano são exportados através de um oleoduto turco e o restante, pelo terminal iraquiano de Mina Al Bakr, no Golfo.
A volta do petróleo iraquiano ao mercado poderia transformar a tendência à alta dos preços do óleo cru, devido principalmente ao clima de tensão entre Iraque e ONU sobre a questão do desarmamento.
Sábado, o Iraque ameaçou ‘‘não ficar de braços cruzados’’ se os Estados Unidos continuarem bloqueando a decisão do Conselho de Segurança sobre o levantamento do embargo a Bagdá. Em virtude da resolução 687 do Conselho de Segurança da ONU, o embargo de petróleo só pode ser levantado quando a Unscom se certificar de que o Iraque já não possui armamento de destruição em massa.
A crise sobre o desarmamento voltou a aparecer nos últimos dias devido ao fracasso da missão no Iraque do dirigente da Unscom, Richard Butler, que não conseguiu que Bagdá permitisse aos inspetores da ONU o acesso aos palácios presidenciais.
Butler declarou sexta-feira passada que o Iraque poderia esconder armamento proibido nos palácios presidenciais, afirmações desmentidas por Bagdá. Ontem, um jornal oficial iraquiano qualificou de espiões os responsáveis norte-americanos da Unscom e denunciou seus métodos de trabalho.

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