Iraque ameaça atacar aviões ocidentais
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segunda-feira, 28 de dezembro de 1998
Agência Reuters 
O Iraque advertiu ontem que disparará contra os aviões ocidentais que patrulham as zonas de exclusão aérea no sul e no norte do país, enquanto tentava obter o apoio árabe para suas exigências de que seja levantado o embargo econômico internacional.
O vice-presidente iraquiano, Taha Ramadan, declarou que seu país não reconhece as zonas de exclusão aéreas, criadas pelos Estados Unidos, Grã-Bretanha e França após a Guerra do Golfo, em 1991, para proteger as colônias curdas no norte e a população xiita no sul contra ataques iraquianos. Comunicamos claramente que qualquer violação de nosso espaço aéreo enfrentará o fogo iraquiano, disse Ramadan.
As declarações do vice-presidente iraquiano foram divulgadas horas depois de um incidente em que dois aviões britânicos entraram na zona de exclusão no sul do Iraque e, segundo Bagdá, foram alvo das baterias antiaéreas iraquianas.
O Exército da Grã-Bretanha informou que seus aviões não foram atingidos nem seus pilotos se sentiram ameaçados pelos disparos, que ocorreram a vários quilômetros de distância. Os EUA e a Grã-Bretanha exigiram que o Iraque respeite as zonas de exclusão. Os aviões dos aliados que forem atacados durante o patrulhamento responderão aos disparos, informaram porta-vozes governamentais em Washington e Londres. Os iraquianos sabem que não deveriam atacar esses vôos. Nossos pilotos podem iniciar imediatamente a autodefesa se sentirem ameaçados, disse o porta-voz do Conselho de Segurança dos EUA, P. J. Crowley, em Washington.
O governo do Irã, país que travou oito anos de guerra contra o Iraque, exortou Bagdá a cumprir as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas. O presidente do Parlamento iraniano, Hassan Rohani, disse a seu colega iraquiano, Ojeil Jalal Ismail, em visita a Teerã, que a ruptura dos compromissos só dariam aos EUA e à Grã-Bretanha pretextos para novos ataques.
Atendendo a pedido do governo iraquiano, os parlamentares árabes condenaram ontem os quatro dias de ataques anglo-americanos ao Iraque, indicando que eles põem em perigo a paz regional e prejudicam ainda mais os iraquianos, já afetados pelo impacto de oito anos de sanções da ONU.
O presidente da Assembléia Nacional iraquiana, Sadum Hamadi, pediu durante reunião extraordinária da União Parlamentar Árabe, convocada pelo príncipe herdeiro e regente da Jordânia, Hasan, que o embargo econômico imposto contra o Iraque seja rompido.
O vice-primeiro-ministro iraquiano, Tareq Aziz, enviou uma carta a vários partidos de países árabes destacando que, apesar de o Iraque ter cumprido todas as resoluções da ONU a respeito do desmantelamento de suas armas de destruição em massa, o Conselho de Segurança rejeitou aplicar suas próprias resoluções a respeito do levantamento do embargo petrolífero ao país
Bagdá considera o levantamento da proibição de exportar petróleo livremente o primeiro passo para a eliminação total das sanções econômicas impostas ao Iraque em 1990, quando as tropas iraquianas ocuparam o Kuwait.
Em seu discurso, o herdeiro jordaniano pediu o fim da injustiça ao povo iraquiano, em uma alusão às sanções, mas não condenou pessoalmente o ataque ao Iraque, o que provocou a fúria dos nove membros da delegação iraquiana.
Ainda hoje o Parlamento iraquiano reiterou que Bagdá não permitirá o retorno ao Iraque das equipes da Comissão Especial de Desarmamento da ONU (Unscom), a quem acusou, mais uma vez, de realizar atividades de espionagem a favor dos serviços secretos dos EUA e Israel.


