O Iraque barrou ontem uma equipe de inspetores de armas que incluía um americano e exigiu o fim do vôo de aviões de reconhecimento U-2 dos EUA sobre seu território, advertindo que eles podem ser abatidos. Já os EUA rejeitaram um pedido de diálogo feito pelo presidente Saddam Hussein e avisaram que está acabando o tempo para que Bagdá evite uma ‘‘ação firme’’ da comunidade internacional.
‘‘À luz dos acontecimentos correntes e como aconteceu em ocasiões anteriores, o Iraque espera uma agressão militar contra si por parte dos EUA’’, afirmou o embaixador iraquiano nas Nações Unidas, Nizar Hamdoon, em carta ao chefe da comissão da ONU encarregada de garantir o desmantelamento das armas iraquianas de destruição em massa, Richard Butler.
‘‘Por isso, a entrada de um avião-espião nos céus iraquianos não pode ser aceita e nós exigimos o cancelamento dos vôos previstos para os dias 5 (depois de amanhã) e 7’’, acrescentou. ‘‘Você assume a responsabilidade por sua decisão, especialmente nestas circunstâncias, nas quais nossa artilharia antiaérea está preparada em toda parte para a possibilidade de uma agressão.’’
Em Washington, um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, James Rubin, afirmou: ‘‘O Conselho de Segurança deve estar preparado para adotar uma ação firme que force os iraquianos a cumprir (as resoluções da ONU), caso eles não mudem de idéia nos próximos dias.’’
Os inspetores foram barrados por volta das 8h30 (horário local), ao chegar a uma instalação de mísseis balísticos fora de Bagdá. ‘‘As autoridades iraquianas disseram que a equipe não poderia entrar porque um de seus membros era americano’’, disse um porta-voz da Comissão Especial da ONU (Unscom). A Unscom cancelou então essa e outras duas missões previstas para ontem, alegando que não as poderia realizar sem todos os inspetores.
Para tentar resolver a crise, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, decidiu enviar uma delegação de três membros - o argentino Emilio Cárdenas, o argelino Lakhdar Brahimi e o sueco Jan Eliasson - a Bagdá. O Iraque concordou em receber a delegação (que deve chegar hoje), mas ressaltou esperar que ela dê início a um diálogo ‘‘para definir claramente os direitos e os compromissos’’ de cada parte no processo de desarmamento iraquiano.
‘‘Queremos uma posição clara sobre o levantamento do embargo econômico’’, disse Saddam, segundo a agência oficial INA. A principal condição para o levantamento do embargo (imposto em 1990, após a invasão iraquiana do Kuwait) é a comprovação do desmantelamento dos arsenais iraquianos de destruição em massa.

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