Uma avaria elétrica no oleoduto iraquiano-turco frustrou as expectativas do presidente do Iraque, Saddam Hussein, de ver o óleo cru iraquiano voltar ontem ao mercado de petróleo internacional; a população iraquiana ainda não sabe disto.
A agência oficial de notícias INA anunciou que o presidente Hussein em pessoa apertou ontem, na estação de bombeamento de Kirkuk (norte do Iraque), o botão que abria passagem para a volta do cru iraquiano no mercado internacional, através do território turco.
Segundo a agência, depois de um atraso de três horas, causado por uma avaria elétrica, o oleoduto turco-iraquiano começou a canalizar os 650.000 barris de petróleo que o ministro Amer Rachid afirmou que exportariam no primeiro dia.
Mas, 900 km mais distante, no terminal turco de Ceyhan, um funcionário do governo anunciava que o trabalho não havia começado e estava paralisado o escoamento do petróleo iraquiano para um porto turco no Mediterrâneo, por causa de falhas técnicas no Iraque.
‘‘Os iraquianos dizem que acionaram o botão precisamente às 6 horas e 25 minutos, na cidade de Kirkuk, mas devido a um problema de eletricidade o bombeamento não começou’’, disse Fatih Sen, diretor regional da companhia estatal Botas encarregada do oleoduto, situado no porto mediterrâneo turco de Ceyhan-Yumurtalik.
Os meios iraquianos mantinham silêncio à noite sobre a avaria, e os próprios jornalistas levados a Kirkuk para assistir à cerimônia não foram informados do incidente.
Os festejos organizados em Kirkuk, principal centro de petróleo do Iraque, prosseguiram normalmente, com cantos patrióticos e sacrifícios de cordeiros, como se a operação estivesse sido posta em prática tal como previsto.
Em Rotterdã, uma funcionária da companhia Saybolt, à qual a ONU confiou a surpervisão das exportações do cru iraquiano, informou que o recomeço do bombeamento poderá ser adiado para hoje.
As autoridades turcas calculavam em 300.000 barris por dia a capacidade de bombeamento iraquiano num primeiro momento, até alcançar os 440.000 barris por dia, segundo a agência Anatolia.
O presidente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o italiano Francesco Paolo Fulci, qualificou a entrada em vigor do acordo de troca de petróleo por alimentos de ‘‘a maior operação humanitária já lançada’’ pela ONU.
Falando em Nova York após informar os membros do conselho de que o secretário-geral da organização, Boutros Boutros-Ghali, dera a autorização final para a exportação iraquiana, Fulci destacou: ‘‘Mais de 20 milhões de inocentes civis iraquianos serão finalmente salvos de morrer de fome.’’
Em Washington, um porta-voz americano afirmou que o acordo ‘‘não significa o fim do embargo, nem o primeiro passo para isso’’. A condição-chave para o fim das sanções é a comprovação do desmantelamento de todo o arsenal de destruição em massa do Iraque. A França anunciou que pressionará para o levantamento total do embargo.

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