Iraque afirma estar pronto para a guerra
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sexta-feira, 31 de outubro de 1997
Agência Estado 
France PressePropagandaSaddam examina arma em foto distribuída pelo governo iraquianoO governo do presidente iraquiano, Saddam Hussein, informou ontem que não quer um confronto com os Estados Unidos, mas advertiu: o Iraque está preparado para enfrentar uma nova ação militar de Washington.
Esta foi a reação de Bagdá às sérias advertências feitas diretamente pela Grã-Bretanha e indiretamente pelos Estados Unidos, de que o regime iraquiano corre o risco de uma retaliação armada em consequência de sua decisão unilateral de impedir a entrada no país de inspetores de nacionalidade americana da Comissão Especial da ONU encarregada do desmantelamento do arsenal nuclear, químico e bacteriológico iraquiano.
O Iraque está sendo acusado pelo Conselho de Segurança da ONU de obstruir os trabalhos dos técnicos. Se os Estados Unidos querem adotar uma ação e esta ação é militar, o Iraque está apto a reagir contra ela, disse Sultan al-Shawi, presidente da Comissão Jurídica do Parlamento iraquiano.
O chanceler russo Yevgeny Primakov ressaltou a condenação de Moscou à atitude arbitrária do regime iraquiano de vetar o nome de cidadãos americanos da comissão de desarmamento, mas manifestou a total oposição de seu governo a qualquer nova ação militar americana na região.
Somos contra o uso da força, sugerido por algumas vozes, sobretudo da Grã-Bretanha, destacou Primakov, que visita oficialmente o Egito. Fazemos sérias objeções a isso.
Referindo-se à opção militar, o porta-voz do Departamento de Estado, James Rubin, afirmou: Esse, naturalmente, é um assunto muito sério, mas não descartamos nenhuma possibilidade.
Os Estados Unidos, acusados por Bagdá de impedirem, com todos os meios a seu alcance, o levantamento do embargo imposto pelo Conselho de Segurança ao Iraque, foram vaiados por manifestantes e imanes (guias religiosos muçulmanos) nas mesquitas de Bagdá ontem.
Pelo segundo dia consecutivo, os manifestantes saíram às ruas nas cidades iraquianas para denunciar o governo norte-americano e expressar a intenção de os iraquianos enfrentarem a injustiça e a arbitrariedade exercidas por Washington. A televisão iraquiana divulgou as imagens destas manifestações populares, que se desenvolveram na presença de altos dirigentes do partido Baas, no poder no Iraque.
As Nações Unidas não buscam o confronto (com Bagdá), mas insistem em que sejam respeitadas as resoluções sobre o desarmamento do Iraque, declarou ontem o Secretário norte-americano de Defesa William Cohen.
Cohen, ao apresentar à imprensa o novo encarregado norte-americano para a retirada das minas, Karl Inderfurth, reafirmou que Washington nada decidiu, mas não exclui nenhuma hipótese no plano militar para que Bagdá desista de expulsar os observadores norte-americanos da Comissão Especial da ONU para o desarmamento do Iraque (UNSCOM).
A secretária de Estado Madeleine Albright insitiu na posição unânime dos membros do Conselho de Segurança em relação ao caso, acrescentando que a votação da semana passada, na qual França, Rússia e China se abstiveram, refletia apenas um desacordo tático.


