France PressePropagandaSaddam examina arma em foto distribuída pelo governo iraquianoO governo do presidente iraquiano, Saddam Hussein, informou ontem que não quer um confronto com os Estados Unidos, mas advertiu: o Iraque está preparado para enfrentar uma nova ação militar de Washington.
Esta foi a reação de Bagdá às sérias advertências feitas diretamente pela Grã-Bretanha e indiretamente pelos Estados Unidos, de que o regime iraquiano corre o risco de uma retaliação armada em consequência de sua decisão unilateral de impedir a entrada no país de inspetores de nacionalidade americana da Comissão Especial da ONU encarregada do desmantelamento do arsenal nuclear, químico e bacteriológico iraquiano.
O Iraque está sendo acusado pelo Conselho de Segurança da ONU de obstruir os trabalhos dos técnicos. ‘‘Se os Estados Unidos querem adotar uma ação e esta ação é militar, o Iraque está apto a reagir contra ela’’, disse Sultan al-Shawi, presidente da Comissão Jurídica do Parlamento iraquiano.
O chanceler russo Yevgeny Primakov ressaltou a condenação de Moscou à ‘‘atitude arbitrária’’ do regime iraquiano de vetar o nome de cidadãos americanos da comissão de desarmamento, mas manifestou a ‘‘total oposição’’ de seu governo a qualquer nova ação militar americana na região.
‘‘Somos contra o uso da força, sugerido por algumas vozes, sobretudo da Grã-Bretanha’’, destacou Primakov, que visita oficialmente o Egito. ‘‘Fazemos sérias objeções a isso.’’
Referindo-se à opção militar, o porta-voz do Departamento de Estado, James Rubin, afirmou: ‘‘Esse, naturalmente, é um assunto muito sério, mas não descartamos nenhuma possibilidade.’’
Os Estados Unidos, acusados por Bagdá de impedirem, com todos os meios a seu alcance, o levantamento do embargo imposto pelo Conselho de Segurança ao Iraque, foram vaiados por manifestantes e imanes (guias religiosos muçulmanos) nas mesquitas de Bagdá ontem.
Pelo segundo dia consecutivo, os manifestantes saíram às ruas nas cidades iraquianas para denunciar o governo norte-americano e expressar ‘‘a intenção de os iraquianos enfrentarem a injustiça e a arbitrariedade exercidas por Washington’’. A televisão iraquiana divulgou as imagens destas manifestações populares, que se desenvolveram na presença de altos dirigentes do partido Baas, no poder no Iraque.
‘‘As Nações Unidas não buscam o confronto (com Bagdá), mas insistem em que sejam respeitadas’’ as resoluções sobre o desarmamento do Iraque, declarou ontem o Secretário norte-americano de Defesa William Cohen.
Cohen, ao apresentar à imprensa o novo encarregado norte-americano para a retirada das minas, Karl Inderfurth, reafirmou que Washington ‘‘nada decidiu, mas não exclui nenhuma hipótese’’ no plano militar para que Bagdá desista de expulsar os observadores norte-americanos da Comissão Especial da ONU para o desarmamento do Iraque (UNSCOM).
A secretária de Estado Madeleine Albright insitiu na ‘‘posição unânime dos membros do Conselho de Segurança’’ em relação ao caso, acrescentando que a votação da semana passada, na qual França, Rússia e China se abstiveram, refletia apenas um ‘‘desacordo tático’’.

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