Iraque acusa técnicos de espionagem
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sexta-feira, 06 de dezembro de 2002
France Presse 
BAGDá O Iraque, convencido de que será atacado, acusou os técnicos da ONU de espionagem em benefício dos Estados Unidos. As autoridades norte-americanas, por sua vez, querem examinar minuciosamente a declaração que Bagdá deverá entregar sobre seus programas militares, até amanhã.
Os inspetores da ONU suspenderam seus trabalhos, ontem, em função da festa do Fitr, que marca o final do jejum muçulmano do Ramadã. Essa interrupção também servirá para preparar as próximas inspeções, segundo o chefe da equipe, Dimitri Perricos.
Por sua parte, o presidente Saddam Hussein pediu a seus cidadãos para que tenham paciência ''frente ao arrogante despotismo norte-americano''.
De sua parte, o vice-primeiro-ministro iraquiano Tarek Aziz declarou que ''a administração norte-americana se prepara para uma guerra''. ''Será um milagre se não houver guerra. Não temos armas de destruição em massa. Não temos armas químicas, biológicas ou nucleares'', insistiu Aziz.
Quarta-feira à noite, o vice-presidente iraquiano, Taha Yassin Ramadan, acusou os inspetores da ONU de serem espiões dos Estados Unidos e de Israel, afirmando que sua atuação visa a facilitar um eventual ataque norte-americano.
As autoridades iraquianas criticaram abertamente os inspetores depois de sua visita a um palácio presidencial em Bagdá, na terça-feira passada. Em entrevista à BBC, Ramadan disse que seu país vai pedir a ''especialistas independentes'' que verifiquem as instalações que já foram visitadas pela equipe da ONU. Ramadan também acusou o presidente George W. Bush, seu vice Dick Cheney e a mídia norte-americana de ''tocar os tambores de guerra''.
Em Bagdá, Perricos reconheceu que os técnicos utilizam informações dos serviços de inteligência estrangeiros, ao mesmo tempo em que assegurou que a missão está sendo conduzida de ''maneira apropriada''.
A Casa Branca informou que será dado todo o tempo necessário para analisar a declaração que o Iraque deve entregar sobre seus programas de armas proibidas e pediu aos técnicos que façam inspeções rigorosas.
Em Nova York, o programa ''petróleo por alimentos'' foi renovado por mais seis meses.


