Iraque aceita resolução da ONU
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quinta-feira, 14 de novembro de 2002
Agência Efe 
Nações Unidas O Iraque aceitou a resolução do Conselho de Segurança sobre o novo regime de inspeções, informou ontem o embaixador desse país ma ONU, Mohamed Aldouri, que fez o comunicado ao secretário-geral da organização, Kofi Annan. A decisão de aceitar incondicionalmente a resolução está em uma carta, na qual, segundo o embaixador, o Iraque se declara à espera dos inspetores da ONU.
A carta, que ''é longa e consta de seis ou sete páginas'', comenta os pontos de vista do Iraque sobre a resolução e sobre as relações do país com a ONU ''mas sem colocar condições'', disse o diplomata.
''Não há nenhum requisito. Há duas frases muito importantes. A primeira que desejamos trabalhar com a resolução e a segunda que estamos esperando que os inspetores cheguem ao Iraque como está previsto na resolução'', declarou à imprensa pouco após entregar a carta.
Aldouri informou que a carta foi remetida pelo ministro de Assuntos Exteriores iraquiano ao secretário-geral da ONU, quem agora terá que remetê-la ao Conselho de Segurança.
Sobre a recomendação do Parlamento iraquiano de não aceitar a resolução, Aldouri comentou que ''esta foi uma decisão muito política''.
Aldouri explicou que essa decisão política foi tomada porque ''a escolha era entre paz e guerra e o Governo do Iraque escolheu a paz''.
O Conselho de Segurança aprovou na sexta-feira passada uma resolução na qual reforça o regime de inspeções da ONU no país e afirma que o Iraque sofrerá ''graves consequências'' no caso de descumprimento.
O principal órgão de decisão da ONU tinha dado um prazo de sete dias, contando a partir da notificação da resolução, sexta-feira passada, para que o Iraque desse uma resposta.
O atual presidente do Conselho de Segurança, o embaixador chinês, Zhang Yishan, disse também que o embaixador Aldouri lhe informara que seu país decidiu aceitar a resolução e o regresso dos inspetores.
Yishan destacou que ele, por sua vez, fizera o cumunicado ao Conselho de Segurança, que recebeu a notícia ''com satisfação pela correta decisão do Governo do Iraque''.
Explicação O regime iraquiano declarou ontem que a decisão de aceitar a resolução da ONU foi adotada pelo presidente do país, Saddam Hussein, com o objetivo de ''evitar que os injustos prejudiquem o povo iraquiano'', segundo um comunicado divulgado pela TV estatal.
A TV interrompeu sua programação habitual para transmitir ao povo do Iraque a decisão adotada por seu presidente.
Os primeiros telejornais após a quebra do jejum de Ramadã haviam ignorado a notícia divulgada momentos antes na sede da ONU em Nova York.
Exigência dos EUA Os Estados Unidos exigiram ontem que o Iraque cumpra a resolução da ONU e já comece o processo de desmantelamento das armas de destruição em massa que, segundo Washington, o país árabe possui.
''A resolução da ONU é vinculativa (de cumprimento obrigatório) sobre o Iraque, e o regime de Saddam Hussein não tem escolha senão aceitar a resolução'', disse Scott McClellan, um dos porta-vozes da Casa Branca.
McClellan reiterou o ceticismo do Governo norte-americano acerca da carta na qual o Iraque comunicou que aceitava a resolução aprovada pelo Conselho de Segurança.


