Iraque abre fábrica a jornalistas
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quarta-feira, 28 de agosto de 2002
Agência EFE 
BagdáAs autoridades iraquianas mostraram aos jornalistas ontem uma ''fábrica de inseticida'' onde, segundo os EUA, são produzidas armas químicas e biológicas, acusação que para o Iraque é um pretexto para um ataque militar norte-americano. ''Não é a primeira vez que nos acusam de fabricar armas biológicas e químicas nesta fábrica'' disse Husam Mohamed Amin, chefe do Comitê Iraquiano de Vigilância encarregado de coordenar com os especialistas da ONU a inspeção do arsenal de armas de destruição em massa que supostamente o Iraque possui.
Segundo Hamid, que acompanhou os jornalistas, a fábrica, situada 80 quilômetros a oeste de Bagdá, ficou totalmente destruída nos ataques lançados pelos EUA durante a operação ''Raposa do Deserto'' em 1998, que se seguiu à saída dos inspetores da ONU, aos quais o Iraque acusou de espionar a favor de Washington. ''As instalações foram construídas em 1994 e, desde então e até 1998, permaneceram vigiadas pelos inspetores de desarmamento da ONU'', acrescentou Hamid.
Ele assegurou que ''as acusações norte-americanas são rudes e carecem de provas''.
A presença de jornalistas estrangeiros na fábrica faz parte de uma série de visitas que o Governo organizou a vários lugares considerados suspeitos para comprovar sua afirmação de que já não possui armas proibidas pela ONU.
No começo deste mês o Governo abriu à imprensa um depósito de alimentos para rebater uma informação procedente dos EUA que afirmava que ali eram armazenadas armas biológicas.
PressãoO Governo britânico está considerando a opção de impor uma data limite ao presidente do Iraque, Saddam Hussein, para que readmita em seu país os inspetores de armas da ONU, confirmou ontem o ministro de Relações Exteriores, Jack Straw.
A idéia de dar um ultimato ao líder iraquiano para que, finalmente, permita a entrada dos especialistas em armamento e assim, teoricamente, reduzir o risco de um ataque a seu país, surgiu da comissão de Exteriores do Parlamento britânico, e foi muito bem recebida pelo gabinete do primeiro-ministro, Tony Blair.
Posição árabeO presidente da Síria, Bachar Asad, e o rei de Bahrein, Hamad bin Isa Al Khalifa, defenderam ontem em Damasco que ''os países árabes adotem uma postura comum'' para evitar um ataque ao Iraque ou a qualquer outro país islâmico.
Os dois dirigentes debateram a situação nos territórios palestinos ocupados e outros assuntos regionais e internacionais que são de interesse mútuo. Ontem pela manhã, o ministro sírio de Assuntos Exteriores, Faruk Al Chara, reuniu-se com seu homólogo de Bahrein, Mohamed ben Isa Al Jalifa, para discutir a situação no Oriente Médio.
Bahrein, que abriga a V Frota dos EUA no golfo Pérsico, declarou, assim como todos os países árabes, sua rejeição a qualquer ataque militar ao Iraque.


