Iranianos elegem candidato moderado
PUBLICAÇÃO
sábado, 24 de maio de 1997
Kianouche Dorranie, da France Presse, de Teerã 
TEERÃ - Os resultados parciais da eleição presidencial iraniana, que dão grande vantagem ao candidato dos moderados e da esquerda islamita, Mohamed Jatami, abrem a perspectiva de uma mudança política de grande porte no país e constituem um sério revés ao aparelho político e religioso do regime.
Jatami conquistou mais de 67% dos votos, segundo os resultados parciais publicados pela agência IRNA. Dos 16,4 milhões de votos contados até o meio-dia local de ontem, o candidato moderado estava com 11,03 milhões de votos.
Seu principal adversário, Alí Akbar Nategh-Nuri, apoiado pelo poderoso aparelho político e religioso conservador, só conseguiu 4,4 milhões de votos, ou seja, 27%.
Sem esperar pelos resultados definitivos, Nategh-Nuri reconheceu sua derrota em um comunicado dirigido a seu adversário e lido na televisão estatal. Felicito Jatami por sua eleição e asseguro a ele o meu apoio.
Estes resultados traduzem claramente a vontade de mudança da população iraniana, composta por uma maioria de jovens de 25 anos.
Uma vitória de Jatami, de 54 anos, que contava com o apoio de vários membros do governo, é um duro golpe para a hierarquia conservadora ligada ao Guia da república islâmica e número um do regime, o aiatolá Alí Khamenei.
Mais de 32 milhões de iranianos, homens e mulheres de mais de 15 anos, foram convocados às urnas para eleger o sucessor do presidente Alí Hachemí Rafsanyani, no poder há oito anos e a quem a Constituição impede de apresentar-se para um novo mandato de quatro anos.
Durante sua campanha, Jatami, que foi ministro da Cultura, publicou um programa de 12 pontos, prometendo a liberdade de expressão, assim como o respeito aos direitos fundamentais.
Jatami conta também com o apoio da esquerda radical que dominou os primeiros anos da revolução. Em suas visitas às zonas rurais e meio tradicionais, Jatami exibiu seu turbante negro, sinal de pertencer à classe dos seyyed, que se consideram descendentes diretos do profeta Maomé.
Jatami foi escolhido no início de maio pelo conservador Conselho Constitucional como uma das quatro personalidades autorizadas a concorrer às eleições em função de sua fidelidade aos princípios fundamentais do regime.
Mas ele logo se revelou como o catalisador de um voto de protesto jovem, urbano, intelectual e feminino.


