Teerã - Centenas de mulheres iranianas se reuniram na tarde de ontem para protestar contra a violência por ocasião do Dia Internacional da Mulher, desafiando as autoridades que haviam proibido esta manifestação. As manifestantes denunciaram a ''violência contra as mulheres'' e pediram ''a revisão das leis que discriminam as mulheres'', constatou um jornalista da France Presse.
Elas também solicitaram a ratificação por Teerã da Convenção Internacional contra a Discriminação da Mulher, aprovada pelo Parlamento mas rejeitada pelo Conselho dos Guardiões da Constituição, órgão conservador encarregado de verificar a conformidade das leis com a carta magna e com a lei islâmica.
Foram também ouvidos slogans contra a poligamia, autorizada pelo islã. ''Não foi solicitada qualquer autorização para esta concentração, em consequência, é ilegal'', avisou algumas horas antes um funcionário da prefeitura de Teerã.
Sete organizações feministas, como o Centro Cultural das Mulheres e a Associação Independente das Mulheres convocaram a manifestação no parque Laleh, no centro da capital. Estas entidades denunciaram o aumento da violência pública e doméstica contra as mulheres, do número de jovens que fogem de suas casas, da prostituição e dos assassinatos.
As mulheres iranianas estão sujeitas a restrições na sua vida social, regida pela lei islâmica. O diyeh ou ''preço do sangue'', é uma prática que demonstra o ínfimo valor concedido à mulher. Em caso de assassinato, o culpado tem que indenizar a família da vítima; pagará o dobro se matar um homem.
O divórcio pode ser obtido facilmente por um homem, mas se torna um pesadelo para as mulheres, que devem demonstrar que seu marido é impotente, viciado em drogas, que não satisfaz as necessidades de sua família ou que abandonou o domicílio há seis meses no mínimo. No entanto, pôde-se registrar uma evolução no bom sentido: os tribunais exigem cada vez mais que os maridos justifiquem seu pedido de divórcio.
Apesar de as iranianas ainda não poderem escolher livremente sua profissão, elas são cada vez mais numerosas nas universidades. Em comparação com outros países muçulmanos, as mulheres iranianas desempenham um papel social mais importante, se beneficiando dos direitos de dirigir e de votar. ''As mulheres representam 11,5% da população ativa'', informou Sadegh Bakhtiari, vice-ministro do Trabalho, citado pela agência oficial Irna.

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