Irã vai dividido ao segundo turno hoje
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quinta-feira, 23 de junho de 2005
Folhapress 
São Paulo - Em uma eleição imprevisível na qual proliferam acusações de fraude e manipulação, os iranianos vão hoje às urnas para escolher o substituto do presidente Mohammad Khatami, reformista, entre um conservador moderado e outro linha-dura. Trata-se da primeira vez em que o país promove uma disputa presidencial em dois turnos.
Favorito até o pleito do primeiro turno, na última sexta-feira, o ex-presidente Hashemi Rafsanjani (1989-97), 70 anos, concorre com o atual prefeito de Teerã, Mahmoud Ahmadinejad, 49.
Ontem o aiatolá Hashemi Rafsanjani, favorito no segundo turno da eleição presidencial iraniana, procurou atrair os moderados e os reformistas para o seu campo, em meio a temores de que a Guarda Revolucionária vanguarda dos clérigos que detêm o poder no Irã consiga votos para os conservadores.
Político relativamente obscuro, Ahmadinejad beneficiou-se do excesso de divisões entre os reformistas e surpreendeu analistas ao superar adversários e angariar os votos dos mais pobres e dos mais conservadores, além de contar com o apoio das Forças Armadas e de milícias religiosas.
O primeiro turno revelou um eleitorado extremamente dividido: Rafsanjani recebeu apenas 21% dos votos, e Ahmadinejad, 19,5%. Na votação de hoje, esse quadro deve se repetir.
Ontem o governo iraniano anunciou a prisão de 26 pessoas, incluindo pelo menos um militar, sob a acusação de fraude eleitoral. Segundo comunicado do Ministério do Interior, foram registrados 104 casos de violações eleitorais no primeiro turno.
Candidatos reformistas derrotados acusaram militares e membros da Guarda Revolucionária de pressionar eleitores em favor do prefeito de Teerã, um ex-comandante da Guarda.
O governo dos EUA, que já classificou o Irã como membro de um ''eixo do mal'', disse não ter preferência entre os candidatos. Seja quem for o novo presidente, ele estará submetido ao líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei.
''Nossa preferência é que o povo iraniano tenha o direito de escolher livremente sua liderança'', disse o porta-voz do Departamento de Estado, Adam Ereli, sugerindo que as opções eram ''extremamente limitadas''. O Conselho dos Guardiães, órgão mais poderoso do país, vetou uma série de candidaturas reformistas e todas as candidaturas de mulheres.


