Isfahan, Irã - O Irã enfrentou a desconfiança da comunidade internacional e as ameaças de intervenção do Conselho de Segurança da ONU ontem ao retomar sua produção nuclear ultra-sensível, depois de nove meses de paralisação.
O anúncio de que o Irã retomou as atividades de conversão de urânio na central de Ispahan causou preocupação na União Européia e nos Estados Unidos. ''O Irã retomou a conversão de urânio sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea)'', disse o vice-presidente da Agência de Energia Atômica do Irã, Mohammad Saidi.
Em meio a cenas de grande excitação, um correspondente da Agência France Presse (AFP) viu técnicos abrindo o primeiro barril de urânio para conversão, enquanto inspetores da Aiea instalavam câmeras de segurança para monitorar o processo.
A União Européia pediu nos últimos dias uma reunião de emergência da Aiea para hoje, a fim de emitir um ultimato visando à suspensão do trabalho nuclear no Irã. O encontro é o primeiro passo num processo que pode levar o caso do Irã ao Conselho de Segurança - uma reivindicação dos EUA que os europeus vinham recusando até então - e resultar em sanções.
As autoridades iranianas vêm enfatizando que não estão preocupadas com possíveis ações do Conselho de Segurança, pois alegam que o direito do Irã de utilizar combustível nuclear é garantido pelo Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP).
''A decisão é irreversível (e será mantida) mesmo que (a Aiea) decidir amanhã (hoje) mandar o caso do Irã ao Conselho de Segurança, porque (o pedido internacional por uma suspensão) não tem base legal e é contrário ao TNP'', disse Saidi a jornalistas. ''É um dia histórico. Com a ajuda de Deus, a planta (de Ispahan) está de volta hoje (ontem), como desejava o povo, que empurrou os líderes a fazer isso''.
No encontro de hoje, a Aiea deve emitir um aviso ao Irã em vez de enviar o caso imediatamente ao Conselho de Segurança. O Irã está sob investigação da Aiea por mais de dois anos. A agência acusa o país de ocultar trabalho nuclear, mas ainda não encontrou provas da existência de um programa de armas.
O ministro de Relações Exteriores da Alemanha, Joschka Fischer, falou sobre possíveis ''consequências desastrosas'', enquanto a Grã-Bretanha afirmou que a retomada da conversão seria uma quebra de acordos e resoluções da Aiea.
Já a França pediu uma resposta única à ''grave'' crise que foi ''deliberadamente provocada pelo Irã''. A Aiea afirmou que a conversão teve início antes que fosse testado o equipamento de monitoração, mas que alguns lacres colocados na central de Isfahan por seus inspetores ainda não haviam sido rompidos.

mockup