Irã retoma atividade nuclear e assusta ocidente
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quarta-feira, 11 de janeiro de 2006
Siavosh Ghazi<br> France Presse 
Teerã - O Irã removeu ontem os lacres de diversos centros de pesquisa nuclear localizados na cidade de Natanz (centro), onde o enriquecimento de urânio é realizado, provocando uma onda de indignação entre países ocidentais. ''Alguns lacres de centros de pesquisa foram removidos, e esses centros vão retomar seu trabalho'', anunciou Mohamed Saidi, vice-diretor da Organização iraniana de Energia Atômica.
Em Viena, uma porta-voz da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou que o Irã havia ''iniciado o procedimento de retirada dos selos da AIEA em Natanz, na presença de seus inspetores''. ''A produção de combustível nuclear ainda está suspensa'', afirmou Saidi, dando a entender que o Irã não alimentaria essas centrífugas para enriquecimento de urânio em Natanz.
O diretor-geral da AIEA, Mohamed ElBaradei, disse que ''os inspetores da agência confirmaram que o Irã começou a remover os lacres colocados em equipamentos e no material relacionado ao enriquecimento em Natanz'', e que concluirá essa tarefa até hoje em outros dois centros: Pars Trash e Farayand.
ElBaradei, explicou que o Irã quer enriquecer urânio ''em pequena escala'' em suas instalações de Natanz, segundo um comunicado divulgado em Viena, confirmando as intenções de Teerã, apesar das advertências dos países ocidentais. O diretor da AIEA expressou ''profunda preocupação com a decisão do Irã''.
A reação mais forte ao anúncio veio dos americanos. ''Os dirigentes iranianos mostraram desprezo pelas preocupações internacionais e pela diplomacia internacional'', declarou o embaixador dos Estados Unidos na AIEA, Gregory Schulte.
Em Washington, a Casa Branca advertiu a República islâmica: ''medidas desse tipo representam uma grave escalada do problema nuclear iraniano'', afirmou o porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan. ''Qualquer operação para retomar o enriquecimento ou as atividades de conversão representarão uma nova violação por parte do Irã dos acordos com os europeus'', disse.
Segundo o governo americano, se os iranianos continuarem a descumprir suas obrigações, ''não haverá outra opção a não ser recorrer'' ao Conselho de Segurança da ONU para que sejam adotadas as medidas pertinentes.
A decisão de ontem gerou críticas em vários países, entre eles a Rússia, que manifestou preocupação. França, Grã-Bretanha e Alemanha se reunirão amanhã para desenhar o mapa da paz, mas o debate, até agora bastante diplomático, está subindo de tom. ''A questão de submeter o expediente ao Conselho de Segurança da ONU será prioritária'', afirmou o ministro britânico das Relações Exteriores, Jack Straw, descartando uma ação militar.


