Irã rejeita oferta dos EUA para diálogo nuclear
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quinta-feira, 01 de junho de 2006
Folhapress 
São Paulo - O Irã rejeitou ontem as condições impostas pelos Estados Unidos para a realização de negociações a respeito de seu programa nuclear, afirmando que está disposto a negociar, mas sem suspender as atividades de enriquecimento de urânio.
As declarações foram feitas no mesmo dia em que representantes dos países membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU EUA, Reino Unido, França, Rússia e China e da Alemanha se reúnem em Viena para tentar resolver o impasse em torno da questão.
''Nós apoiamos o diálogo em uma atmosfera justa e imparcial, mas não discutiremos nossos direitos legítimos, porque são direitos de nosso povo, garantidos por leis internacionais e tratados'', afirmou o ministro das Relações Exteriores do Irã, Manuchehr Mottaki.
O representante iraniano disse ainda que seu país está disposto a ''discutir as preocupações comuns com todas as partes, se as condições forem as solicitadas (pelo Irã)'', na primeira reação oficial do Irã à proposta americana.
Ontem a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, afirmou que os EUA negociarão com o Irã desde que o país interrompa completamente e de forma verificável suas atividades de enriquecimento de urânio. Em suas declarações, Rice acusou ainda o regime iraniano de desrespeitar os direitos humanos e apoiar o terrorismo. Mottaki disse ontem que tais acusações ''não são novas''.
''Eles repetiram seu velho discurso. Nestas declarações, não houve nenhuma solução nova nem lógica para a questão nuclear'', afirmou o ministro iraniano. ''Primeiramente, os Estados Unidos deveriam responder por seus crimes no Iraque, no Afeganistão, e nas prisões de Guantánamo (Cuba) e de Abu Ghraib (em Bagdá)'', acrescentou.
EUA e Irã não mantêm relações diplomáticas desde 1979, quando um grupo de estudantes invadiu a embaixada americana em Teerã e fez reféns, na tentativa de conseguir a extradição (dos EUA) do xá Reza Pahlevi.


