São Paulo - O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse que seu país e o Brasil devem trabalhar em conjunto para criar uma ''nova ordem mundial''. A declaração foi feita durante encontro com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Também ontem, Amorim afirmou que o Brasil estaria disposto a examinar uma proposta para a troca de urânio enriquecido iraniano em seu território. O país já havia sido pleiteado para a troca do combustível nuclear, mas nunca recebeu proposta formal de Teerã. ''Até o momento, não recebemos nenhuma proposta neste sentido, mas se recebermos uma, consideramos que poderia ser examinada'', afirmou Amorim, em visita à Teerã.
Ele já havia dito em fevereiro não ter ''preconceito'' contra a hipótese de o Brasil ser depositário de urânio enriquecido, desde que esse fosse um pedido feito pela comunidade internacional.
A proposta foi levantada inicialmente pelo diretor da organização iraniana de energia atômica, Ali Akbar Salehi, na linha do acordo assinado no ano passado com as potências e a ONU (Organização das Nações Unidas) para o enriquecimento de seu combustível nuclear em solo exterior.
Caso aceite a proposta, Brasil receberia o urânio iraniano enriquecido a 3,5% e entregaria combustível enriquecido a 20% -suficiente para geração de energia e inviável para a produção de armas.
Em fevereiro, contudo, Amorim descartou completamente a possibilidade de o Brasil vir a enriquecer o urânio para o Irã. ''Pelo que tenho lido, o Brasil, não tecnologicamente, mas industrialmente, não teria condições de produzir essa quantidade que seria necessária. Se você não tem condições de fazer industrialmente, não adianta discutir hipótese'', afirmou.
A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, disse ontem que o Irã não apresentou mudança após suas conversas no fim de semana com a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) e continua desafiando a comunidade internacional com seu programa nuclear. ''A indiferença do Irã em relação a suas obrigações internacionais ressalta a importância de uma pressão internacional unida para mudar suas políticas. Os Estados Unidos estão trabalhando com seus parceiros (...) sobre novas sanções duras...'', disse Hillary a jornalistas durante reunião com uma autoridade da união Europeia.

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