France Presse
De Teerã
A justiça iraniana empreendeu uma ofensiva sem precedentes desde a Revolução Islâmica ao ordenar a suspensão de 12 publicações ligadas aos reformistas e consideradas ‘‘bases do inimigo’’.
Esta ação desencadeou reações iradas e o próprio presidente Mohammad Khatami e os diretores das publicações reformistas tiveram de lançar pedidos de calma e solidariedade.
‘‘Para dissipar as preocupações do povo, do Guia da República Islâmica, do aitolá Ali Khamenei e do clero’’, segundo um comunicado publicado pela agência IRNA, ‘‘a justiça iraniana decidiu suspender até nova ordem’’ a publicação de oito jornais, uma revista bimensal e três semanários. Trata-se de publicações politicamente ligadas ao presidente Khatami, acusadas de ‘‘atentar contra os valores’’ da república islâmica.
Uma medida ‘‘coletiva’’ como esta, sem precedentes desde a instauração da República islâmica em 1979, foi precedida pela detenção no mês de abril de três jornalistas reformistas.
A mesma acontece também depois dos ataques regulares contra os reformistas desde o início do mês, principalmente depois da conferência de Berlim, em 7 e 8 de abril, considerada antiislâmica e à qual assistiram pessoas ligadas ao presidente Khatami.
Diante de tanta tensão, o chefe do Estado fez um apelo à calma e solidariedade. ‘‘Hoje, o Irã precisa mais do que nunca de calma e solidaridade para conseguir nossos objetivos. Hoje, precisamos de tranquilidade, principalmente às vésperas do advento de um novo Makhlis (parlamento)’, declarou Khatami.
Um pedido neste sentido foi divulgado também por 11 publicações reformistas, afirmando que farão valer seus direitos ‘‘de maneira legal’’, segundo um comunicado publicado ontem pelo jornal Mocharekat.
‘‘Nenhuma ação fora das leis é aceitável para defender os jornais’’, afirma o texto, publicado no jornal dirigido pelo irmão do presidente, Mohammad-Reza Khatami, que também é presidente da Frente da Participação (FP, esquerda reformista).

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