Irã pretende instalar 50 mil centrífugas em usina nuclear
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 10 de abril de 2007
France Presse 
Teerã - O Irã se declarou disposto a instalar até 50 mil centrífugas de enriquecimento de urânio na usina nuclear de Natanz, um dia depois de ter anunciado o início destas atividades em escala industrial.
Porém, as declarações das autoridades iranianas levantam mais perguntas que respostas sobre o real estado do progresso do programa nuclear, segundo diplomatas destacados no país.
''O objetivo da República Islâmica não é apenas a instalação de 3 mil centrífugas na usina de enriquecimento de Natanz. Planejamos tudo para instalar 50 mil centrífugas'', declarou Gholam Reza Aghazadeh, vice-presidente do país e diretor da Organização de Energia Atômica Iraniana (OIEA).
Aghazadeh e o presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, anunciaram na segunda-feira que o país passou ao enriquecimento de urânio em escala industrial, mas sem revelar o número de centrífugas instalado.
Outra autoridade iraniana, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani, deu a entender que eram 3 mil. Um diplomata destacado em Teerã assinalou uma ''certa confusão no que diz respeito ao aspecto técnico dos anúncios''.
O enriquecimento industrial implica a utilização de dezenas de milhares de centrífugas, em funcionamento contínuo e sem incidentes.
O Irã anunciou há um ano que no final de março de 2007 instalaria 3 mil centrífugas em Natanz, antes de adiar o prazo até maio.
No entanto, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que tem dois inspetores no Irã esta semana para uma visita de rotina a Natanz, informou em fevereiro que apenas 600 centrífugas haviam sido instaladas.
Um diplomata na sede da AIEA em Viena mencionou no final de março seis cascatas de centrífugas (pouco menos de mil máquinas).
A partir destas informações, um embaixador ocidental em Teerã afirmou que o número de 3 mil centrífugas ''não é nada verossímil''.
Em uma sutil distinção, Saidi teve cuidado ao falar de ''enriquecimento industrial'', referindo-se apenas à ''passagem à industrialização do enriquecimento'', com a explicação de que tal mudança não implicava automaticamente em uma operação com 3 mil centrífugas.
A questão da quantidade é crucial, já que uma instalação de 3 mil centrífugas permite, em tese, obter, em um prazo de seis a 12 meses, quantidade suficiente de urânio altamente enriquecido para produzir uma bomba nuclear.
Os Estados Unidos afirmaram estar ''muito preocupados'' e defenderam uma pressão crescente sobre o Irã''.
A Grã-Bretanha considerou que se trata ''de uma nova violação das resoluções da AIEA e das Nações Unidas''.
O Conselho de Segurança da ONU já exigiu a suspensão do enriquecimento e submeteu o Irã a sanções.
Em sua última resolução, o Conselho de Segurança deu prazo de 60 dias, ou seja até 23 de maio, para que o Irã obedeça suas exigências. Caso contrário, adotará ''novas medidas apropriadas'' contra a República Islâmica.


