IRA planejou matar Charles e Diana
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sábado, 28 de dezembro de 1996
Reuter 
NOVA YORK - O Exército Republicano Irlandês, o IRA, que luta há quase três décadas pelo fim do domínio britânico na Irlanda do Norte, planejava matar o príncipe Charles e a princesa Diana, durante um concerto de rock em Londres, em 1983. O complô fracassou porque o guerrilheiro encarregado de executar o atentado era um agente infiltrado que traiu o grupo, segundo reportagem publicada ontem pelo jornal The New York Times.
O ex-militante do IRA Sean OCallaghan - que era informante da polícia especial da Irlanda e da inteligência britânica - contou ao jornal nova-iorquino que recebeu ordens do comando do grupo de assassinar o casal real. O IRA decidiu fazer o atentado ao saber que o príncipe poderia levar Diana para assistir ao show do grupo Duran Duran, em 20 de julho de 1983. O Callaghan foi enviado então a Londres com detonadores e explosivos.
Durante a missão, OCallaghan vasculhou o teatro e encontrou um local para instalar a bomba na parede de um banheiro próximo ao camarote real. Ele verificou o horário em que a equipe de limpeza limparia o local e certificou-se de ter tempo suficiente para armar o explosivo. Teria funcionado, tinha uma grande chance de sucesso, afirmou OCallaghan ao jornal, em entrevista dada em Londres.
O plano de assassinato falhou, entre outras razões, porque OCallaghan, pouco tempo antes da data do show, procurou seus chefes na polícia irlandesa e britânica e disse que queria arrumar um jeito de sabotar o plano de atentado sem que o IRA percebesse que ele era um agente encoberto.
As polícias secretas traçaram então um plano segundo o qual a Scotland Yard passaria informações para jornais de Londres de que OCallaghan estava sendo procurado pela polícia por ligação com um complô para assassinar um ministro do gabinete da então primeira-ministra Margaret Thatcher. Quando as notícias foram publicadas pelos jornais, OCallaghan já havia fugido e era tarde demais para dar a missão a outro.


