São Paulo - O Irã não deu sinais de ter congelado seu programa de enriquecimento de urânio, apesar do ultimato da Organização das Nações Unidas (ONU), que deu 30 dias para que o país interrompesse suas atividades nucleares para não sofrer sanções.
Uma fonte muito próxima à AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica, ligada à ONU) informou que centrífugas iranianas processavam gás para o enriquecimento de urânio até terça-feira passada último dia em que inspetores da agência fiscalizaram usinas no Irã. O enriquecimento de urânio é um processo que pode tanto produzir combustível para usinas de energia quanto material bélico.
Imediatamente após tomar conhecimento do resultado do relatório da ONU, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse em discurso em Salt Lake City, no Estado de Utah, que se o Irã não cessar suas atividades nucleares, como exige a ONU, deverá arcar com as consequências de sua decisão.
''É hora do Irã escolher. Nós fizemos nossa escolha. Continuaremos cooperando estreitamente com nossos aliados para encontrar uma solução diplomática, mas a atitude desafiante do Irã deve ter consequências e não se pode permitir que o Irã fabrique armas nucleares'', disse.
Em resposta, o vice-presidente da Organização Iraniana de Energia Atômica, Mohammad Saidi, afirmou que o programa nuclear iraniano ''não é negativo'' e que o enriquecimento de urânio continuará com caráter de ''pesquisa''.
O prazo-limite imposto pela ONU no último dia 30 de julho terminou ontem. Antes do ultimato, os cinco membros permanentes do órgão (EUA, Reino Unido, França, Rússia e China, todos com direito a veto), mais a Alemanha haviam oferecido um pacote de incentivos econômicos e políticos em troca da cooperação iraniana, que não será anulado, caso o Irã mude de idéia.
Ontem, antes de a ONU divulgar seu mais recente relatório a respeito do programa nuclear iraniano, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse em discurso público que seu país nunca renunciará à energia nuclear pacífica. Embora a resposta oficial do Irã a respeito do ultimato ainda não tenha sido divulgada, a fala de Ahmadinejad já sinaliza o que vem pela frente.
Como dito em várias ocasiões, e por diferentes autoridades iranianas, Teerã não pretende parar de enriquecer urânio, alegando que suas atividades neste setor são para finalidades civis e pacíficas. Os Estados Unidos, apoiados por países ocidentais, acusam o Irã de ter outro objetivo: a construção de armas nucleares, entre elas uma bomba atômica.
Há um mês, o CS da ONU deu 30 dias de prazo para que o Irã respondesse a um pedido formal de interrupção de enriquecimento de urânio, sujeito a punições.

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