Irã domina assembléia geral da ONU
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terça-feira, 19 de setembro de 2006
Folhapress 
São Paulo - Em seu discurso ontem na abertura da 61 Assembléia Geral das Nações Unidas, em Nova York, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, usou seu tempo para acirrar ainda mais o clima de tensão entre Washington e Teerã.
Bush disse que o povo iraniano tem o direito de determinar seu próprio futuro, alegando que o maior obstáculo no Irã são seus governantes - em referência direta ao presidente Mahmoud Ahmadinejad.
''De Beirute a Bagdá, o povo está escolhendo a liberdade. As pessoas nesta assembléia também devem fazer uma escolha entre a moderação e o extremismo'', disse. ''O grande obstáculo é que seus governantes (referindo-se ao governo iraniano) escolheram lhes negar a liberdade, e utilizar os recursos de seu país para patrocinar o terrorismo e buscar a fabricação de armas nucleares'', acrescentou.
A fala de Bush foi dirigida ao povo iraniano, mas o recado era para Ahmadinejad. Bush tenta conquistar apoio da população do Irã para pôr fim ao atual governo daquele país. ''Vocês (iranianos) merecem a chance de decidir seu próprio futuro, de ter uma economia que recompense sua inteligência e seus talentos e uma sociedade que lhes permita utilizar seu enorme potencial'', disse.
Bush voltou a falar sobre a guerra contra o terror, afirmando que os EUA querem a paz e que os extremistas propagam a idéia de que o Ocidente está numa guerra contra o islã. ''Nós respeitamos o islã, mas defendemos nosso povo daqueles que pervertem o islã para semear a morte e a destruição'', afirmou.
Bush afirmou também que a secretária de Estado Condoleezza Rice fará um esforço diplomático ao lado de dirigentes do Oriente Médio para relançar o processo de paz entre israelenses e palestinos. E pediu à comunidade internacional que apóie os dirigentes moderados do Oriente Médio.
Outra região mirada por Bush foi o Sudão. Recentemente, o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma resolução que estabelece o envio de 17 mil capacetes azuis a Darfur com a missão principal de proteger a população civil dos ataques armados, mas as autoridades de Cartum se opõem a essa medida.
Em três anos de limpeza étnica, a violência de milícias árabes arrasaram vilas inteiras e deixaram um rastro de cerca de 200 mil mortos - a maioria negros.


