Bagdá - O Irã confirmou ontem sua participação na conferência internacional sobre a reconstrução no Iraque, que acontece de 3 a 4 de maio, em Sharm el-Sheikh, no Egito. O negociador iraniano Ali Larijani já chegou a Bagdá para preparar esta reunião.
O primeiro-ministro iraquiano, Nuri al Maliki, ligou para o presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad e pediu pessoalmente que o Irã participasse no encontro, revelou um funcionário de Teerã, que não quis ser identificado.
A República Islâmica (xiita) mantém relações privilegiadas com vários membros do governo iraquiano de Al Maliki, dominado pelos xiitas, e enfrenta as críticas de Washington por supostamente fornecer armas e explosivos a grupos armados iraquianos.
Além do Irã e dos países vizinhos do Iraque, são esperados no Egito os representantes das Nações Unidas, da União Européia e os membros do G8, para estudar os meios de estabilizar a situação no país devastado pela guerra.
A secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, por sua vez, afirmou ao canal ABC que não descarta um encontro com seu colega iraniano à margem da conferência sobre o Iraque. ''Não se trata de uma reunião entre os EUA e o Irã, mas de uma conferência sobre o Iraque, cujo objetivo é estudar os meios de contribuir para a estabilização da situação neste país.''
Atentado - Em Kerbala, foi instaurado ontem um toque de recolher proibindo a circulação de carros, e somente quatro vias de entrada na cidade foram abertas. Nesse sábado, um carro-bomba dirigido por um camicase explodiu na cidade, a 200 metros da entrada do mausoléu do imã Abbas. Kerbala abriga também os mausoléus de vários imãs, entre eles o do imã Hussein, uma das personalidades mais veneradas do Islã xiita.
''Encontramos os corpos de 71 pessoas mortas na explosão: 53 homens, cinco mulheres, cinco crianças e oito pessoas não identificadas'', declarou Salim Kazim, porta-voz do ministério da Saúde em Kerbala. ''Uma menina iraniana de dois anos e quatro cidadãos indianos estão entre as vítimas'', acrescentou.
Entre as vítimas da violência no país encontra-se uma famosa jornalista da televisão pública iraquiana, Amal al-Muderas, que foi baleada ontem diante de sua casa em Bagdá. Ela foi hospitalizada em estado crítico no hospital de Yarmuk. Informações contraditórias circularam sobre seu estado. Fontes de segurança chegaram a anunciar sua morte.

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