São Paulo - Cerca de 22 mil pessoas morreram por causa do terremoto que atingiu o sudeste do Irã na última sexta-feira, anunciou ontem Asghar Voccugh, prefeito da cidade de Kerman - capital da Província de mesmo nome.
Pouco antes, o ministro iraniano do Interior, Abdolvahed Moussavi Lari, citado pela emissora de televisão estatal, disse que 15 mil corpos já foram enterrados.
O terremoto de 6,3 graus na escala Richter deixou 30 mil feridos, segundo o último balanço oficial, provisório.
O terremoto causou pelo menos 10 mil mortes apenas na cidade de Bam, que tinha uma população de 90 mil habitantes, segundo Mohammad Ali Karimi, governador da Província de Kerman, onde está localizada a cidade.
Por outro lado, a rádio estatal informou que 13 mil mortes foram confirmadas na região de Bam.
Autoridades iranianas temem que o número de mortos seja ainda maior que os cerca de 22 mil anunciados pelo prefeito - há informações de que cerca de 40 mil pessoas podem ter morrido. Segundo a agência Irna, pelo menos 30 mil mortes já teriam sido confirmadas.
Resgate
As operações de busca de sobreviventes do terremoto terminariam na noite de ontem (tarde de ontem em Brasília), anunciou um porta-voz da ONU (Organização das Nações Unidas) depois de uma reunião com autoridades iranianas.
''Esperamos que as operações de busca e salvamento terminem hoje (ontem)'', anunciou o Gabinete de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU em um comunicado. Já não é necessário enviar equipes internacionais de resgate ao local, acrescenta o informe.
Uma reunião na manhã de ontem em Bam, cidade destruída pela catástrofe, entre o representante da ONU Jesper Lund e as autoridades iranianas ''decidiu que não é mais necessário o envio de equipes internacionais de busca'', informa o documento.
Um porta-voz da ONU em Genebra (Suíça) afirmou que as buscas continuarão com as equipes de 16 países que já estão no local da tragédia, mas acrescentou que não existem mais possibilidades de encontrar sobreviventes depois de hoje, ''a menos que aconteça um milagre''.
Escombros
Quase mil pessoas foram retiradas vivas dos escombros da cidade de Bam, entre anteontem e ontem, segundo um novo balanço divulgado pela agência de notícias oficial Irna.
Mais cedo, a agência havia informado que 200 pessoas tinham sido resgatadas com vida anteontem.
''Esses sobreviventes do terremoto foram localizados graças aos cães farejadores e aos aparelhos ultramodernos de detecção das equipes de resgate iranianas e estrangeiras'', afirma a Irna em um comunicado.
Pelo menos 20 países já se comprometeram a enviar algum tipo de ajuda para o Irã - Rússia, Dinamarca, África do Sul, Alemanha, China, França, Turquia, Japão, Coréia do Sul, Bélgica, Hungria, Grécia, Polônia, Suíça, Reino Unido, Noruega, Áustria, Espanha, Portugal, EUA.
A Cruz Vermelha internacional faz uma campanha para tentar arrecadar US$ 12 milhões. A União Européia disponibilizou RS$ 1 milhão. As Nações Unidas - que concederam uma ajuda no valor de US$ 90 mil ao país - estão enviando especialistas e ainda cobertores, equipamento para cozinhar, purificar água e alimentos. Os iranianos também colaboram doando sangue e suprimentos.
Anteontem, o presidente iraniano, Mohammad Khatami, admitiu que os danos do terremoto são tão extensos que o país não tem condições de enfrentar sozinho a situação.

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