Irã condiciona petróleo a apoio nuclear
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terça-feira, 20 de setembro de 2005
Folhapress 
São Paulo - O Irã irá condicionar suas vendas de petróleo e outras transações comerciais ao apoio que receber de seus parceiros econômicos nas negociações sobre seu programa nuclear, afirmou ontem o representante iraniano nessas tratativas, Ali Larijani.
Larijani disse ainda que o país retomará seu programa de enriquecimento de urânio e impedirá inspeções de suas instalações nucleares caso a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) decida remeter o caso ao Conselho de Segurança (CS) da ONU para possíveis sanções.
''Alguns países têm relações econômicas abrangentes com o Irã, especialmente na área de petróleo, mas não assumem a responsabilidade de defender os direitos de uma nação oprimida. O Conselho Supremo de Segurança Nacional está determinado a pôr as duas coisas na balança'', disse.
''O Irã decidirá a participação de seus sócios em sua economia em função do apoio que aportem na defesa de seu direito nacional'' no tema nuclear, acrescentou.
Mantendo um tom duro, Larijani propôs às autoridades européias uma nova rodada de negociações para que se chegue a um acordo político. ''Se eles querem falar com o Irã na linguagem da força, o Irã não terá outra escolha, de modo a preservar suas conquistas tecnológicas, a não ser sair do Tratado de Não-Proliferação (TNP) e recomeçar o enriquecimento (de urânio)'', disse Larijani.
Ontem, Reino Unido, França e Alemanha, que negociam a questão em nome da União Européia, preparavam uma resolução remetendo o Irã ao CS por supostas ''falhas e quebras de suas obrigações'' com o TNP. Segundo fontes diplomáticas, porém, a iniciativa tinha a oposição da Rússia e da China, que fazem parte da AIEA e têm poder de veto no CS.
Teerã sustenta que seu programa nuclear tem por fim a produção de eletricidade. Para os EUA, porém, o país quer construir armas atômicas.


