Irã comemora 20 anos de revolução
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segunda-feira, 01 de fevereiro de 1999
France Presse 
Há 20 anos, a monarquia constitucional iraniana, dirigida por Mohammad Reza Pahlavi, último imperador de uma dinastia considerada uma das mais sólidas do mundo, ruía aos pés de uma revolução conduzida pelo clero xiita em nome do Islã. Desde a volta triunfal do aiatolá Ruyollah Mussavi-Khomeiny ao Irã, em 1º de fevereiro de 1979, até a partida do último governo do Xá, passaram-se dez dias que puseram um fim a 25 séculos de monarquia.
France PresseSaídaSoldado iraniano beija os pés de Mohammad Reza Pahlavi em 16 de janeiro de 79Centenas de milhares de pessoas aclamaram o aiatolá Khoeminy, de 79 anos, quando voltou a bordo de um avião da Air France depois de quinze anos de exílio no Iraque e na França. Imediatamente depois de sua chegada, do cemitério Behecht-é-Zahra, ao sul de Teerã, onde prestou homenagem aos mártires da revolução, o aiatolá lançou um desafio ao último governo imperial dirigido por Chapur Bajtiar. Ao mesmo tempo, convocou uma sucessão de manifestações maciças, greves em vários setores econômicos e exigiu ao governo Bajtiar que se entregasse ao povo. O ímã se instalou, então, na escola islâmica de Refah, no centro de Teerã, de onde passou a lançar suas condenações ao regime, estimulando a insurreição.
O Xá Mohammad Reza Palhavi, que já havia fugido do país em 16 de fevereiro para um exílio que esperava ser o mais breve possível, nunca mais voltou. Um Conselho da Revolução foi organizado por aliados de Jomeiny para preparar a instauração de uma República Islâmica. Mehdi Bazargan, engenheiro nacionalista e islamita, oponente há muito tempo do regime do Xá, foi encarregado de organizar uma equipe governamental. Os generais do exército imperial, pilar do regime e considerado o quinto exército do mundo, além de cerca de 40 mil especialistas militares americanos, instalados no Irã, começam a partir. O exército rapidamente se descompôs: os soldados desertaram e o país submergiu na tormenta revolucionária.
Um toque de recolher militar passou a evitar o início de motins no país, deixando um rastro de milhares de mortos e feridos. Violentos confrontos ocorrem em Teerã e nas principais cidades do país. A Guarda Imperial e as forças antimotins se desintegram e começam a fraternizar com a multidão. Grupos de jovens manifestantes, dirigidos pelo clero xiita, atacam os edifícios públicos, saqueiam os bares, restaurantes, discotecas e lançam garrafas de álcool nas ruas para anunciar o fim iminente do regime pró-ocidental do Xá.
No dia 6 de fevereiro, Mehdi Bazargan é nomeado formalmente primeiro-ministro do governo provisório, resultado da revolução islâmica. Neste momento, havia dois governos em Teerã: o revolucionário Bazargan, enquanto o último governo imperial de Bajtiar vive seus últimos dias em um luxuoso palácio da cidade.
O estado maior do exército imperial declara sua neutralidade e precipita a queda do governo, cujos membros, civis ou militares, são detidos, fusilados ou fogem para o exterior. Em 11 de fevereiro, a rádio iraniana, batizada de Voz da Revolução, anuncia o fim de 2500 anos de despotismo e a queda da ditadura dos reis do Irã.


