France Presse
O Exército Republicano Irlandês (IRA) anunciou ontem o início das discussões sobre seu desarmamento com a comissão internacional dirigida pelo general canadense John De Chastelain, segundo um comunicado transmitido à AFP em Belfast.
Segundo o comunicado, um primeiro encontro aconteceu entre a comissão e um intermediário, que o texto do IRA não identifica.
‘‘Estão previstas outras conversações’’, conclui o breve comunicado que leva a asinatura habitual do IRA, ‘‘P. O’Neill’’.
Contactado pela AFP, o general De Chastelain evitou falar sobre o encontro alegando que não podia ‘‘realizar qualquer declaração nesta fase’’.
O IRA já havia anunciado na quinta-feira passada a nomeação de seu emissário, confirmando sua intenção de colaborar com a aplicação do acordo de paz em curso. Esse passo foi considerado importantíssimo por analistas internacionais no processo de paz entre católicos e protestantes.
O nome do intermediário do IRA deu margem a numerosas especulações, mas segundo uma fonte fidedigna, não se trata de Padraig Wilson, de 42 anos, um ativista atualmente detido na prisão de Maze por terrorismo.
A entrega dos arsenais dos grupos armados é o último tijolo que falta ao prédio institucional do acordo de paz, que proporcionou esta semana em Belfast o nascimento de um governo reunindo católicos e protestantes, com Londres transferindo para a Irlanda do Norte a maioria das atribuições administrativas e Dublin renunciando formalmente a suas reivindicações territoriais sobre a província em troca de uma associação com seu governo. Segundo os acordos da Sexta-feira Santa, os grupos armados têm até maio de 2000 para entregar as armas.
O protestante Partido Unionista do Ulster concordou em formar na semana passada um governo com membros do Sinn Fein – braço político do IRA – após o anúncio da organização de que negociaria com a IICD seu desarmamento. O líder unionista David Trimble ameaçou deixar o novo gabinete se o IRA não começar o processo de desarmamento em dois meses.

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