Irã ameaça suspender petróleo a outros países
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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
<br> Folhapress <br> 
São Paulo - O Irã poderá encerrar suas vendas de petróleo a outros países europeus além de França e Reino Unido, se a Europa continuar com as ''ações hostis'' contra Teerã, disse ontem o presidente da companhia nacional petroleira do Irã, Ahmad Ghalebani. Citado pela agência Mehr, Ghalebani mencionou a Alemanha, Espanha, Itália, Grécia, Portugal e Holanda como ''alvos potenciais da medida'', em represália pelo embargo decidido em janeiro pela União Europeia (UE) sobre a compra de petróleo iraniano, que foi mais um reforço às sanções contra o controverso programa nuclear do Irã.
Na quarta-feira passada, a Press TV, emissora iraniana que transmite em inglês, havia anunciado a interrupção das exportações de petróleo para seis países europeus - Holanda, Grécia, França, Portugal, Espanha e Itália - em retaliação às sanções às importações impostas pela UE. No entanto, Teerã negou em seguida as informações.
Em 4 de fevereiro, o ministério iraniano do petróleo havia antecipado que o país certamente cortaria as exportações para ''alguns'' países da Europa. Anteontem, o porta-voz do ministério iraniano de Petróleo, Alireza Nikzad, anunciou oficialmente a suspensão das vendas de petróleo às companhias petroleiras francesas e britânicas. A notícia foi oficialmente divulgada através do site do ministério.
Os 27 países-membros da UE decidiram parar de importar petróleo de Irã a partir de 1º de julho por conta do impasse em torno do programa nuclear do país, que o ocidente acredita ser destinado à construção de bombas - fato negado pelo Irã.
Programa nuclear
No sábado passado, navios de guerra iranianos entraram no mar Mediterrâneo para ''mostrar o poder'' da República Islâmica, em um momento de crescente tensão do país com Israel pela crise nuclear e os atentados anti-israelenses na Índia e na Tailândia.
O anúncio da presença da marinha iraniana no Mediterrâneo foi feito pelo comandante-chefe da marinha, o almirante Habibolá Sayyari, após os navios atravessarem o Canal de Suez, conforme citado pela agência oficial Irna.
Ao mesmo tempo, o principal negociador do Irã para os temas nucleares, Said Jalili, propôs em um encontro das potências do grupo 5+1 - Estados Unidos, China, Rússia, França, Reino Unido e Alemanha - a retomada na ''primeira oportunidade'' das negociações sobre o programa nuclear iraniano, sempre e enquanto for respeitado seu direito à energia atômica com fins pacíficos.
O chanceler britânico William Hague, por sua vez, afirmou na sexta-feira que as ambições nucleares do Irã poderiam desencadear uma ''nova Guerra Fria'', mais perigosa que a dos países ocidentais com a ex-União Soviética.


