Irã ameaça ampliar guerra se outros países intervierem
Advertência foi feita após Trump lançar um apelo internacional para garantir a segurança no estreito de Ormuz
PUBLICAÇÃO
domingo, 15 de março de 2026
Advertência foi feita após Trump lançar um apelo internacional para garantir a segurança no estreito de Ormuz
France Presse 
O Irã alertou outros países neste domingo (15) que, caso intervenham, haverá “uma escalada” na guerra no Oriente Médio, e o governo italiano relatou que uma base do Kuwait que abriga tropas italianas e americanas foi alvo de um ataque com drones.
A advertência do Irã chegou após o presidente americano, Donald Trump, lançar um apelo internacional para garantir a segurança no estratégico Estreito de Ormuz, por onde costuma transitar cerca de um quinto das exportações mundiais de hidrocarbonetos.
O bloqueio do estreito por Teerã fez com que os preços do petróleo disparassem nos últimos dias.
Afirmando que a guarda-chuva de segurança dos EUA na região “atrai problemas em vez de dissuadi-los”, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, instou os países vizinhos a “expulsarem os agressores estrangeiros”.
"Esta guerra terminará quando tivermos certeza de que não se repetirá", disse Araghchi ao veículo de comunicação em língua árabe Al Araby Al Jadid.
O chanceler também instruiu outras nações a "se absterem de qualquer ação que pudesse levar a uma escalada" e alegou possuir "amplas evidências" de que bases dos EUA no Oriente Médio foram utilizadas para atacar seu país, citando especificamente os Emirados Árabes Unidos.
O ataque com drones à base aérea Ali Al Salem, no Kuwait, destruiu um avião pilotado à distância pertencente à Itália, mas não feriu vítimas, informou o exército italiano.
O chanceler italiano, Antonio Tajani, minimizou o ataque, o segundo contra uma base italiana no Oriente Médio nesta semana, e enfatizou: "Não estamos em guerra com ninguém".
- "Mal-estar" -
Em meio às preocupações provocadas pela disparada dos preços do petróleo, que fecharam acima de 100 dólares na sexta-feira, o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou que o bloqueio efetivo do Estreito de Ormuz é um "mal-estar passageiro".
“É verdade que estamos passando por este período de perturbação de curto prazo, mas é melhor fazê-lo agora que enfrentamos um Irã com armas nucleares”, disse Wright em entrevista à ABC News.
Enquanto isso, a Agência Internacional de Energia (AIE) indicou que as reservas estratégicas de petróleo na Ásia e na Oceania serão liberadas "imediatamente", enquanto os países-membros da AIE nas Américas e na Europa serão disponibilizados a partir do final de março.
No sábado, Trump propôs o lançamento de uma operação naval internacional para escoltar petroleiros através do Estreito de Ormuz; no entanto, muitos países parecem hesitantes em relação a essa iniciativa.
O presidente dos EUA conversou neste domingo com o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, sobre "a importância da reabertura do Estreito de Ormuz", informou Downing Street.
- "Milhares de alvos no Irã" -
Após mais de duas semanas de combates, nenhum dos lados suavizou a retórica. Em entrevista à NBC News, Trump afirmou que Teerã quer se sentar à mesa de negociações, mas que Washington continuará sua experiência.
“O Irã quer fazer um acordo e eu não quero porque as condições ainda não são boas o suficiente”, disse Trump à emissora americana.
No entanto, o ministro das Relações Exteriores iraniano declarou que o seu país não tem interesse em manter negociações.
“Não vemos nenhum motivo para conversarmos com os americanos, porque já estávamos conversando com eles quando decidimos nos atacar”, disse Araghchi à CBS em entrevista transmitida neste domingo.
O Pentágono afirma que mais de 15.000 alvos foram atingidos no Irã. O Exército israelense declarou que ainda há "milhares de alvos" para atingir.
- Lojas cheias antes do Ano Novo persa -
No entanto, Teerã vivenciou um dia de trabalho relativamente normal neste domingo, pela primeira vez desde o eclosão da guerra, em 28 de fevereiro, com ataques dos Estados Unidos e de Israel que mataram o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, o pai do atual aiatolá Mojtaba Khamenei.
O trânsito foi mais intenso do que na semana anterior, e alguns cafés e restaurantes estavam abertos. No Bazar de Tajrish, na zona norte da capital, mais de um terço das lojas estava aberto a apenas cinco dias do Nowruz, o Ano Novo persa.
Em Tonekabon, cidade situada às margens do Mar Cáspio, um morador relatou à AFP que os estabelecimentos comerciais estão abertos e movimentados, apesar dos acentuados aumentos de preços.
“Apenas a praça principal permanece fechada todas as noites, e é lá que ocorrem as manifestações do governo”, afirmou Ali, de 49 anos.
Mais de 1.200 pessoas morreram em decorrência dos ataques realizados pelos Estados Unidos e por Israel, segundo dados do Ministério da Saúde iraniano. Esses números não puderam ser selecionados de forma independente.
A agência da ONU para refugiados afirma que até 3,2 milhões de pessoas foram deslocadas no Irã.


