Teerã - A liberação dos oito soldados britânicos capturados pelo exército iraniano na fronteira com o Iraque na segunda-feira foi adiada mais uma vez, ontem, em meio a dificuldades surgidas para a entrega dos militares, informou à AFP nesta quarta-feira um diplomata britânico. Segundo ele, funcionários britânicos enviados ao sudoeste do país, onde estão detidos os oito soldados, entraram em contato com eles pela primeira vez e verificaram que estão em ''bom estado de saúde'', disse.
''Negociamos toda a tarde e parte da noite. Há um acordo para que regressem, mas devemos discutir ainda a forma'' da libertação, disse o porta-voz da embaixada da Grã-Bretanha em Teerã, Andrew Dunn. ''Esta pausa nas negociações é normal'', acrescentou.
As duas partes estavam em dificuldades para chegar a um acordo que permita que os soldados retornem ao Iraque a bordo das embarcações nas quais foram capturados na segunda-feira em Shatt al-Arab, mas também com suas armas e equipamentos, sem os quais a viagem se torna perigosa.
Um dos comandantes do exército iraniano, o general Alireza Afshar, citado pela agência estudantil Isna, garantiu que a ordem de liberação não depende do material. Segundo o general Afshar, nada há contra a liberação, desde que os britânicos admitiram que os barcos entraram por engano em águas territoriais iranianas.
Os oito homens, integrantes da 'Royal Navy' encarregados de treinar a polícia marítima iraquiana, de acordo com Londres, pediram desculpas durante uma transmissão pela televisão.
''Nossa equipe de três barcos e oito homens entrou por engano nas águas iranianas e pedimos desculpas por este grave erro'', afirmaram em uma mensagem divulgada pela rede de televisão em língua árabe Al-Alam.
Os prisioneiros, que apareceram na televisão caminhando em fila indiana, com os olhos vendados e as mãos sobre a cabeça ou sobre os ombros do colega da frente, afirmaram que foram tratados amistosamente pelos Guardas da Revolução.
''Nos deram de comer, beber nos deixaram dormir. Fomos bem tratados durante os interrogatórios'', disse um prisioneiro. O general Afshar afirmou que eles chegaram a agradecer ao Irã por sua hospitalidade.
Mesmo que o problema seja solucionado nas próximas horas, este incidente é um dos mais graves registrados na fronteira com o Irã desde a queda do regime de Saddam Hussein no Iraque.
A detenção dos britânicos é mais um item nas relações conflituosas entre Teerã e Londres. Essas, tradicionalmente complicadas, são cruciais para a ocupação do Iraque, diante da ausência de relações diplomáticas entre Teerã e Washington.
O governo de Londres foi um dos assinantes, na semana passada, de uma resolução muito crítica a respeito do programa nuclear iraniano. No domingo, a União Européia divulgou uma declaração na qual manifesta sua ''grave preocupação com a continuação das violações dos direitos humanos no Irã''.

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